O Globoplay estreia nesta quinta-feira, dia 22, 'Verônika com K', série criada por José Junior, líder do AfroReggae, que promete mergulhar no universo do crime, da corrupção e das comunidades cariocas.
A trama acompanha Verônika, advogada criminalista que cresceu em uma favela e perdeu um irmão há 20 anos. Agora, ameaçada por um escândalo de corrupção, ela se vê obrigada a defender um traficante de drogas.
A história se passa seis anos antes dos acontecimentos da quinta temporada de 'Arcanjo Renegado'. Curiosamente, as gravações aconteceram em 2023, ou seja, foram cerca de três anos de espera até a estreia.
O episódio de estreia apresenta elementos já conhecidos de produções que exploram a relação entre as comunidades, o submundo do crime e a corrupção policial.
Não há, nesse primeiro contato, uma grande novidade na abordagem, mas a narrativa começa com uma morte triste, que estabelece o tom dramático da história, e expõe o envolvimento de agentes da lei em situações suspeitas, além do descaso policial.
É nesse cenário que conhecemos a rotina de Verônika, advogada criminalista inteligente, poderosa e destemida, capaz de fazer de tudo para proteger a família, especialmente a filha, Kenia (Emmy Neves), e a mãe, Glória (Maria Ceiça).
Um dos pontos positivos da série é justamente a maneira como a protagonista transita entre a força e a vulnerabilidade.
Roberta Rodrigues está muito natural no papel. A atriz transmite autoridade sem transformar Veronika em uma figura inabalável: ela demonstra poder, mas também deixa transparecer o medo diante das ameaças. A série é bem conduzida e aposta em bastante ação, mantendo o ritmo movimentado do começo ao fim do episódio.
Apesar dos acertos, 'Veronika com K' tropeça em alguns detalhes técnicos e de continuidade que poderiam ter recebido mais atenção.
Em uma cena com Roberta Rodrigues, Marcelo Torreão e Flávia Monteiro, por exemplo, a iluminação estoura a fotografia, deixando a imagem quase branca e os rostos com uma aparência excessivamente pálida.
Outro detalhe curioso envolve o figurino. Verônika enfrenta um dia intenso, passa por um julgamento e termina a noite em uma festa na favela usando o mesmo vestido rosa esvoaçante.
É possível entender a intenção de reforçar a personalidade e a presença da personagem por meio da roupa, mas uma troca de figurino ao longo de tantas horas faria mais sentido.
As cenas de sexo também merecem ressalvas. As três sequências em menos de meia hora de episódio acabam tornando o recurso repetitivo, mas uma delas não tem como salvar.
A cena da amante de Rod (Dherio Chagas) na piscina, completamente nua e com movimentos bastante exagerados, é um exemplo de como a coreografia poderia ser mais sutil e natural, sem perder a intenção dramática.
No fim, 'Veronika com K' tem uma protagonista carismática, boas sequências de ação e uma narrativa que prende a atenção. Ainda que o primeiro episódio não apresente grandes inovações no gênero e deixe escapar alguns problemas de execução, Roberta Rodrigues sustenta a produção com uma atuação convincente.
Para quem gosta de histórias policiais ambientadas no Rio de Janeiro, a série oferece um começo movimentado e deixa perguntas suficientes para incentivar a continuidade da maratona.