Hoje apresentador do "Booom!" e do "Acerte ou Caia", Tom Cavalcante foi um dos humoristas reveladas por Chico Anysio (1931-2012) em uma das versões da "Escolinha do Professor Raimundo". Na atração, o artista processado por Silvio Santos (1930-2024) interpretou o alcóolatra João Canabrava e logo se tornou um dos personagens mais queridos do programa.
O que poucos sabem é que a amizade acabou e foi substituída por troca de xingamentos antes de ser retomada. "Eu perdoo tudo na vida, menos ingratidão", disparou o Mestre do Humor e responsável pela vinda de Tom de Fortaleza (Ceará) ao Rio de Janeiro ser roteirista (e às vezes ator) do lendário "Chico Anysio Show". Naquele programa, Chico, morto em 23 de março de 2012, desfilava os seus mais de 150 personagens, na época.
Mais qual foi a causa dessa briga intensa entre Chico e Tom? Para entender melhor vamos voltar a 1º de maio de 1996 quando o veterano conduzia o "Chico Total" e o pupilo era um dos destaques do "Sai de Baixo", como o porteiro Ribamar.
O problema começou por conta da peça estrelada por Tom e dirigida por Chico "É Cana & Brava", segundo a revista "Veja", O criador do personagem alcóolatra pagava uma parte da bilheteria ao "mestre", mas depois deixou de o fazer. Àquela altura, o espetáculo já havia sido totalmente reformulado o que revoltou o contemporâneo de Silvio Santos.
"Após uma troca de palavrões ao telefone, Chico fez um escândalo nos jornais, entrou na Justiça e recebeu o que pedia, uma bolada de 88.000 reais. Tom admite que errou, mas seus amigos estão convencidos de que Chico Anysio armou uma denúncia para prejudicar um possível rival que podia ameaçá-lo", diz a matéria.
"Chico fez isso por vaidade e por dinheiro mesmo. Cheguei a me perguntar quanto valia a nossa amizade. Ele só falava comigo por meio de advogados, mas mesmo assim sinto saudade dele", rebateu Tom. "O Tom tem um problema de caráter. Prefiro não falar nada dele, para não promovê-lo. Quero distância", salientou o intérprete de tipos memoráveis como Justo Veríssimo (o político corrupto), Coalhada (o péssimo jogador de futebol que se achava um craque), Tim Tones (o pastor charlatão) e Haroldo (o homossexual que não assumia mais essa orientação sexual).
E Tom subiu ainda mais o tom. "Eu o adotei como irmão, mas não quero vê-lo pessoalmente. É um artista maravilhoso, só que não é criador, mas imitador. Além disso, é muito pouco generoso com as pessoas. É pão-duro mesmo", provocou o humorista que naquela altura ganhava R$ 300 mil ao mês, sendo "apenas" R$ 7 mil da Globo. Após cinco anos, em 2001, os humoristas já haviam retomado a amizade.