Dizem que ninguém pode parar o relógio da vida. Nem mesmo uma estrela de cinema como Tom Hanks, vencedor de dois Oscars e em atividade desde os vinte e poucos anos. Afinal, o tempo passa para todos.
Mas há algo de bonito nisso: ao longo de quase cinco décadas de carreira, ele presenteou o público com interpretações memoráveis. E, em celebração ao seu aniversário de 70 anos comemorado no último 9 de julho de 2026, vale a pena relembrar essa trajetória.
O primeiro filme de Tom Hanks foi o slasher “Noivas em Perigo”, lançado em 1980, embora ele já atuasse no teatro desde 1977. Seu primeiro reconhecimento artístico, aliás, veio nos palcos, ao interpretar Proteu em “Os Dois Fidalgos de Verona”, adaptação da comédia homônima de William Shakespeare.
Embora tenha se mudado para Nova York no fim da década de 1970 — Hanks nasceu na Califórnia —, foi apenas com “Splash – Uma Sereia em Minha Vida” (1984) que começou a ganhar notoriedade e se consolidou como um dos rostos mais conhecidos da comédia em Hollywood.
Filmes como “Um Dia a Casa Cai” (1986), “Quero Ser Grande” (1988) e “Sintonia de Amor” (1993) o transformaram em uma estrela, mas foi com um drama que conquistou o primeiro Oscar da carreira: “Filadélfia”, lançado em 1993.
No longa, Tom Hanks interpreta Andrew Beckett, um advogado demitido do escritório onde trabalhava depois que seus colegas descobrem que ele é gay e vive com HIV.
Considerado a primeira grande produção de Hollywood a abordar de forma direta a homofobia e a epidemia de AIDS, o filme marcou a história do cinema e rendeu ao ator seu primeiro Oscar.
Não demorou muito, no entanto, para Tom Hanks conquistar seu segundo Oscar.
O ator se tornou o último intérprete da história a vencer duas vezes consecutivas na categoria de Melhor Ator, graças à inesquecível atuação em “Forrest Gump – O Contador de Histórias” (1994), um daqueles filmes que todo mundo deveria assistir pelo menos uma vez na vida.
O longa, aliás, foi inicialmente desacreditado pelo próprio Tom Hanks, que revelou em uma entrevista ao The New Yorker que chegou a questionar o diretor de “Forrest Gump”, Robert Zemeckis, se alguém realmente se importaria com um filme de “um cara sentado em um banco com sapatos ridículos”.
Para alívio do ator, a resposta do público e da crítica, no entanto, não poderia ter sido melhor. O longa não só rendeu a Hanks o Oscar de Melhor Ator e US$ 65 milhões, graças a um acordo de participação nos lucros, como ainda foi premiado em outras cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem.
Tom Hanks, por sua vez, voltou a ser indicado ao prêmio por outras três interpretações igualmente marcantes, mas nunca mais subiu ao palco para receber a estatueta.
Em 1999, Roberto Benigni venceu o Oscar de Melhor Ator por “A Vida é Bela”, superando Hanks, que concorria por “O Resgate do Soldado Ryan”. Em 2001, foi a vez de Russell Crowe levar a estatueta por “Gladiador”, enquanto Hanks estava indicado por “Náufrago”.
Já em 2020, Brad Pitt venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Era Uma Vez em... Hollywood”, no mesmo ano em que Hanks concorria na categoria por “Um Lindo Dia na Vizinhança”.
Seu trabalho mais recente no cinema foi como a voz de Woody em “Toy Story 5”. Em live-action, porém, o ator não aparece nas telas desde “O Esquema Fenício”, de Wes Anderson, lançado em 2025.
Para revê-lo em cena, será preciso esperar até julho de 2027, quando estreia “The Comebacker”, uma comédia dramática sobre beisebol.
Também estão previstos o lançamento de “Greyhound 2”, filme de guerra da Apple TV, e um de seus projetos mais curiosos: “Lincoln in the Bardo”. Nele, Tom Hanks interpretará Abraham Lincoln — uma escolha que chama atenção pelo fato de o ator ser descendente do ex-presidente dos Estados Unidos.
Tom Hanks construiu uma carreira marcada por personagens inesquecíveis ao longo de quase cinco décadas. E, se o passado serve de indicação, ainda há muitos papéis memoráveis que o público pode esperar dele nos próximos anos.