Há quem compre as passagens e, no mesmo dia, já comece a pesquisar restaurantes, trajetos e horários de funcionamento.
Outras pessoas preferem reservar a hospedagem e descobrir o resto quando chegam ao destino. Se os dois tipos de viajante dividem as férias, a diferença pode render algumas negociações.
Mas o que está por trás dessas escolhas?
Um estudo publicado em 2022 na revista Frontiers in Psychology investigou como a busca por novas sensações se relaciona com o planejamento de viagens.
Os pesquisadores analisaram as respostas de 344 pessoas na China sobre sua viagem de lazer mais recente, sua percepção dos riscos envolvidos e o uso do celular durante o passeio.
Os participantes com maior tendência a buscar experiências novas e estimulantes, em geral, relataram planejar menos detalhes antes de viajar. Já quem percebia mais riscos na viagem tendia a preparar um roteiro com maior antecedência.
Isso não significa que os mais espontâneos sejam necessariamente descuidados, nem que os planejadores tenham medo de sair de casa. São relações observadas entre características e comportamentos, não regras para cada pessoa.
O celular também entrou nessa história. Entre os participantes que o utilizavam mais para resolver questões da viagem, a associação entre a busca por sensações e um planejamento menos detalhado foi mais forte.
Afinal, poder consultar um mapa, procurar um lugar para comer ou fazer uma reserva durante o passeio muda o quanto é preciso decidir antes de partir.
É tentador olhar para uma planilha de viagem e concluir que seu autor gosta de controlar tudo. Ou ver um roteiro aberto como prova de uma personalidade aventureira.
A pesquisa, porém, não permite tirar conclusões tão definitivas.
Além de ter sido feita com um grupo majoritariamente jovem e com ensino superior, ela registrou associações em um único momento: não demonstrou que um traço de personalidade causa determinado modo de viajar.
O tipo de destino, os custos e as necessidades de quem vai junto também podem pesar nas decisões.
Talvez a pergunta mais interessante, então, não seja qual dos dois estilos é melhor. É perceber o que faz cada pessoa se sentir à vontade para aproveitar a viagem: saber o que a espera ou deixar espaço para ser surpreendida.