Afrika Bambaataa, um dos nomes mais conhecidos da origem do hip-hop, morreu na última quinta-feira (09), aos 68 anos, vítima de complicações de um câncer. Mas, além de sua carreira de sucesso, ele também ficou marcado por diversos escândalos e acusações de abuso sexual.
Ao longo dos últimos anos, diferentes relatos vieram à público e colocaram o artista no centro de denúncias envolvendo supostas agressões cometidas contra jovens. Lance Taylor (nome de batismo do rapper) foi denunciado na Justiça depois que homens afirmaram ter sido vítimas de abusos em episódios ocorridos entre as décadas de 1980 e 1990.
As primeiras denúncias foram feitas há alguns anos, quando diferentes homens passaram a relatar abusos envolvendo Afrika Bambaataa. Em um dos processos levados à Justiça nos Estados Unidos, o artista foi acusado de tráfico sexual e de manter relações com um menor de idade por um período de vários anos.
A ação judicial também reuniu acusações como agressão sexual, sofrimento emocional intencional, sofrimento emocional por negligência e negligência grave. Com o aumento da pressão e da repercussão negativa, o artista chegou ser retirado da presidência da Universal Zulu Nation, organização que criou e foi uma referência na cultura do hip-hop.
Em 2024, o rapper francês Solo, conhecido como o precursor do breakdance no país, se juntou às denúncias contra Afrika Bambaataa e revelou ter sido vítima de abusos sexuais do rapper durante sua adolescência. Na época, ele lançou o livro 'Note Mon Nom Sur Ta Liste: Mon Histoire Du Hip Hop', onde expôs as agressões vindas do criador da Universal Zulu Nation.
Segundo ele, quando tinha 17 anos, passou um tempo nos Estados Unidos buscando consolidar sua carreira. Na época, Solo disse ter ouvido Afrika Bambaataa abusando sexualmente de outro jovem, até que aconteceu com ele:
"Uma noite, Bambaataa chama-me à sala enquanto vê um filme pornográfico. Sinto desconforto, mas não me mexo. Nesse preciso momento, entendi que era a minha vez de me tornar o brinquedo dele", escreveu o artista, que em uma entrevista a um programa de televisão francês, chegou a chamar Afrika de 'predador'.
"Ser confrontado com um predador, especialmente alguém que se admira, é o mais difícil", disse Solo, classificando os abusos como um "comportamento totalmente inadequado". Membro do grupo Assassin, ele lamentou o período de tempo que guardou o trauma para si:
"Acima de tudo, precisava de desenvolvimento pessoal e de apoio, nem que fosse para reconhecer que era uma vítima", disse Solo. Em 2025, Afrika Bambaataa foi condenado a pagar indenização a um homem que o acusava de tráfico sexual nos anos 1990.
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