Aguinaldo Silva voltou ao horário nobre da Globo colecionando elogios com "Três Graças" logo no primeiro capítulo da nova história das nove. De volta à emissora líder após seis anos, o autor que já se envolveu em polêmica com outro novelista e criticou a presença de influencers em novelas, acumula uma série de sucessos no horário nobre como "Tieta", "Senhora do Destino" e "Império", além de ter colaborado em "Roque Santeiro" e "Vale Tudo" só para citar algumas obras.
Mas em 1999, Aguinaldo Silva precisou mexer (e muito) em outra novela sua, por conta justamente da baixa audiência. E se mostrou nada satisfeito com a mudança de rumos no folhetim, uma das tramas mais esquecidas pela Globo da faixa das oito/nove. Quer saber mais? O Purepeople te conta!
Estamos falando de "Suave Veneno", cujo tema de abertura era cantado por Nana Caymmi, cantora morta esse ano. Em maio daquele ano, o jornal "O Estado de S.Paulo" resumia; "Suave Veneno' ficará apelativa para melhorar a audiência". "O autor Aguinaldo Silva concluiu que, hoje, o público quer ver histórias mais 'superficiais'. 'Se é isso o que querem, é o que verão', diz", relatava a matéria.
De forma irônica, o novelista passou a chamar a novela de "Suave Veneno 2". Isso porque três personagens foram eliminados - os de Patrícia França, Léa Garcia e Edwin Luisi - e outros passaram por transformações após pesquisas com o público. Caso de Lavínia (Gloria Pires), que virou camelô, e de Eliseu (Rodrigo Santoro), que se apaixonou por Cristina (Mylla Christie).
Por sua vez, Regina (Letícia Spiller) e Adelmo (Angelo Antônio) passaram a protagonizar cenas mais quentes. Na época do lançamento de "Suave Veneno", o autor prometia reviravoltas a cada 30 capítulos, o que ocorreu com a "morte" de Inês (Gloria Pires), que retornou à história como Lavínia.
A audiência passou de 38 para 41 em São Paulo, mas distante da meta (55 pontos). Em um desabafo, sobrou até para a MPB. "Só dá axé-bumbum e pagode: não poderia haver coisa mais pobre", alfinetou, afastando mal-estar com Daniel Filho, diretor de criação da Globo no final dos anos 1990. "Esses boatos têm me feito mal. Vivo à base de calmantes", concluiu.
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