A Copa do Mundo sempre foi muito mais do que futebol. Ao longo das últimas edições, o torneio também se transformou em uma vitrine para tendências de moda, comportamento e consumo, especialmente nas áreas VIP dos estádios e nas publicações das influenciadoras e WAGs (esposas de jogadores) nas redes sociais.
Entre esse grupo, acessórios de grifes de luxo se tornaram cada vez mais comuns, em especial as bolsas de marcas como Chanel, Dior, Louis Vuitton, e, claro, as Hermès, que são as queridinhas das famosas. Muito além de seus looks, os acessórios, muitas vezes em fotos em campo, costumam roubar completamente a cena.
Mas a Copa do Mundo de 2026 deve apresentar uma mudança importante nessa história. As novas regras da FIFA para acesso aos estádios restringem a entrada de bolsas convencionais, permitindo apenas modelos transparentes dentro de dimensões específicas e pequenas carteiras. A medida foi adotada com o objetivo de reforçar os protocolos de segurança e tornar mais rápida a entrada do público nos locais das partidas.
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Embora a justificativa oficial da FIFA seja operacional, especialistas acreditam que a decisão pode produzir efeitos que vão além da logística. Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a mudança altera também a forma como determinados símbolos de status aparecerão durante o evento.
"Quando símbolos de status deixam de ocupar o centro da cena, a atenção volta para aquilo que realmente sustenta o valor de um evento: sua narrativa. A decisão da FIFA não trata apenas de segurança. Ela também estabelece quais elementos devem ocupar os holofotes durante o espetáculo", diz.
Nos últimos anos, a exposição das WAGs, além de influenciadoras e convidados famosos, passou a gerar quase tanto interesse quanto alguns acontecimentos dentro de campo. Em muitos casos, looks completos, joias e bolsas de alto valor se tornaram assunto muito mais comentado nas redes sociais do que as próprias partidas.
Na avaliação de Tamara, esse movimento acabou criando uma disputa por atenção dentro de um evento cujo foco principal sempre foi o esporte. "O luxo genuíno nunca dependeu da exibição constante. Ele está ligado à presença, à raridade e à capacidade de comunicar valor sem excessos. Quando tudo vira vitrine, aquilo que é realmente singular perde parte da sua força".
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A especialista observa que esse comportamento acompanha uma tendência já percebida no mercado global de luxo. Segundo ela, muitas marcas passaram a valorizar códigos mais discretos de reconhecimento, reduzindo a dependência de logotipos chamativos e elementos facilmente identificáveis.
"A discrição voltou a ocupar um lugar importante. Existe uma valorização crescente daquilo que não precisa ser mostrado o tempo todo para ser percebido", afirma Tamara, que também opina sobre o excesso de exposição: "Quanto maior a exposição, mais raro se torna aquilo que permanece reservado. O desejo continua associado à raridade. Essa lógica vale para marcas, para pessoas e também para grandes eventos".
Como sabemos, a nova política da FIFA pode reduzir a presença de alguns dos acessórios mais fotografados das últimas Copas. Ainda assim, a especialista acredita que a decisão também é uma tentativa de manter o foco da competição: "O futebol é o motivo pelo qual milhões de pessoas acompanham uma Copa do Mundo. Quando a atenção retorna para o jogo, o evento preserva parte do valor simbólico que o tornou um dos maiores espetáculos do planeta".