A atriz Kim Ji-won, sucesso absoluto em "Rainha das Lágrimas", está prestes a embarcar em um papel desafiador e histórico. Segundo informações do portal sul-coreano Soompi, a artista foi escalada para estrelar Detective Park Mi-ok, drama biográfico que vai retratar a trajetória da primeira mulher da história da Coreia do Sul a integrar e chefiar a Divisão de Crimes Violentos.
O projeto é assinado pela roteirista Chung Seo-kyung, conhecida por produções de sucesso como "As Três Irmãs" e "Polaris: Conspiração Política", e pela diretora Kim Hee-won, que trabalhou com Ji-won em "Rainha das Lágrimas". Segundo a mídia local, caso a escalação seja confirmada, as filmagens devem começar assim que a atriz encerrar as gravações de "Doctor X: Age of the White Mafia", onde interpretará uma cirurgiã brilhante envolvida em atos ilegais.
A personagem central do novo k-drama é inspirada em Park Mi-ok, figura histórica da polícia sul-coreana. Nascida em 1968, ela foi pioneira em um ambiente dominado por homens e deixou um legado que ultrapassa as fronteiras da Coreia.
Em entrevista ao Asia Business Daily, a ex-tenente contou que iniciou a carreira aos 19 anos e foi promovida a tenente em apenas nove anos, algo inédito na época. “Nunca achei que precisava me afirmar como mulher. Meu foco sempre foi a responsabilidade e fazer o que precisava ser feito, custasse o que custasse”, disse Park, que ficou conhecida entre os colegas como “a lenda da polícia”.
Ela foi a primeira mulher a integrar a divisão de crimes violentos em 1991 e, mais tarde, tornou-se também a primeira a comandar uma equipe de detetives. Sua trajetória inspirou produções coreanas de sucesso, como "Signal" e "Through the Darkness".
Em mais de três décadas de serviço, Park Mi-ok esteve à frente de casos que abalaram o país, como os de Shin Chang-won e Jeong Nam-gyu, dois dos criminosos mais temidos da Coreia. Ela também viveu momentos difíceis, como o primeiro homicídio que investigou, marcado por extrema brutalidade. “Foi uma cena que nunca mais esqueci. Era impossível não sentir medo, mas aprendi que a única forma de vencê-lo era enfrentando-o”, relembra.
Mesmo diante do machismo enraizado na corporação, Park manteve a postura firme e espirituosa. “Quando entrei na força-tarefa do caso Shin Chang-won, ouvi comentários como ‘o que essa panela está fazendo aqui?’. Em vez de recuar, respondia: ‘Julguem pelas minhas habilidades’”, contou.
Após se aposentar, Park decidiu se afastar da agitação da capital e recomeçar a vida na Ilha de Jeju. “Abri uma livraria e hoje ajudo artistas locais. Gosto de ver as pessoas apreciando arte. Não me preocupo em vender muito, quero apenas viver novas experiências — essa é uma atitude que só a maturidade traz”, revelou.
Mesmo longe da polícia, Park continua inspirando novas gerações. “Reconheçam a própria imaturidade. Sentir-se perdido é normal. Cada obstáculo traz uma oportunidade. Aprendi que toda crise traz um presente escondido, é só ter coragem de desembrulhar.”
Com Kim Ji-won no papel principal e uma equipe criativa de peso por trás das câmeras, Detective Park Mi-ok promete ser um dos k-dramas mais inspiradores dos últimos tempos. Ainda não há previsão de estreia nem plataforma confirmada, mas a produção já é aguardada como uma homenagem à mulher que desafiou o medo, rompeu barreiras e provou que coragem e responsabilidade não têm gênero.
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