Neste domingo (4), o Brasil inteiro irá participar das eleições do primeiro turno, no qual serão eleitos deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da República. Caso seja necessário, o segundo turno acontecerá no dia 25 de outubro. E, como todo cidadão, os jogadores de futebol também irão fazer parte da "festa da democracia".
Mas, em 1996, um compromisso eleitoral acabou criando uma situação curiosa nos bastidores do Palmeiras. O goleiro Marcelo Moreira, revelado nas categorias de base do clube e integrante do elenco durante a década de 1990, precisou deixar a concentração para trabalhar como mesário e, por pouco, não virou um desfalque importante antes de um clássico contra o Corinthians.
A história foi relembrada pelo próprio ex-jogador em entrevista à ESPN. O caso aconteceu durante as eleições municipais de São Paulo, em outubro de 1996, e envolveu também o então jogador Fernando Diniz, que anos mais tarde se tornaria técnico do São Paulo Futebol Clube e, atualmente, em 2026, assumiria justamente o comando do Timão.
Tudo começou quando Marcelo recebeu, pelo correio, uma convocação para atuar como mesário nas eleições. O goleiro estava se preparando com o elenco do Palmeiras para um importante compromisso do Campeonato Brasileiro e ficou preocupado com a possibilidade de precisar se ausentar dos treinamentos.
"Uma semana antes de ir para Atibaia, eu recebi uma carta pelo correio dizendo que eu havia sido convocado para ser mesário nas eleições. Na hora eu já pensei: 'Será que o clube vai me liberar?'. Liguei para a diretoria e eles disseram: 'Marcelo, não tem jeito... Você vai ter que ir e ser mesário'", recordou o ex-atleta à ESPN.
Naquele período, o elenco palmeirense estava concentrado em Atibaia, a cerca de 66 quilômetros de São Paulo, enquanto se preparava para o clássico contra o Corinthians, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Assim, Marcelo e Fernando Diniz precisaram deixar a concentração para cumprir a convocação eleitoral.
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Se a situação já era curiosa por envolver dois jogadores profissionais convocados para trabalhar como mesários, a chegada de Marcelo ao local da votação chamou ainda mais atenção.
O ex-goleiro contou à ESPN que foi até a zona eleitoral, em Santo Amaro, dirigindo seu próprio carro, um Mitsubishi Eclipse, modelo esportivo que despertou olhares entre as pessoas que estavam no local.
"Fiquei a semana toda na concentração e, no domingo, cedinho, fui junto com o Fernando Diniz para ser mesário em São Paulo. Fui para a zona eleitoral em Santo Amaro com meu carro, que era um Mitsubishi Eclipse, e lembro que todo mundo ficou olhando (risos)", contou.
Além da curiosidade provocada pelo automóvel, Marcelo também acabou virando alvo de brincadeiras dos outros mesários quando descobriram que ele era jogador do Palmeiras.
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Segundo o relato publicado pela ESPN, a rotina foi bastante diferente daquela vivida normalmente por um atleta profissional. Depois de passar o dia trabalhando como mesário, Marcelo ainda precisou retornar à rotina do clube e se preparar para a partida.
"Assim que o pessoal que trabalhou comigo soube que eu era atleta do Palmeiras e tinha deixado o treino para ser mesário, eles brincaram muito comigo. Um dia a gente estava trabalhando forte no retiro, depois ficamos o dia inteiro sentados como mesários... E aí voltamos para no dia seguinte treinar de novo!", relembrou.
Apesar da ausência nos treinamentos, Marcelo e Fernando Diniz ainda foram relacionados para o clássico contra o Corinthians.
O clássico aconteceu em 5 de outubro de 1996 e terminou empatado em 2 a 2. Marcelo ficou no banco de reservas, enquanto Fernando Diniz entrou no segundo tempo, substituindo o lateral-esquerdo Júnior, por decisão do técnico Vanderlei Luxemburgo.
Pelo Palmeiras, marcaram Viola e Rincón. Do lado do Corinthians, os gols foram de Célio Silva e Mirandinha.
Mas a história eleitoral de Marcelo e Fernando Diniz não terminaria naquele clássico. O episódio acabou se repetindo no segundo turno das eleições municipais.
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O Palmeiras se preparava em Serra Negra, a 166 quilômetros de São Paulo, para uma partida importante contra o Atlético-MG, quando Marcelo e Fernando Diniz novamente precisaram deixar a concentração para trabalhar como mesários.
"Hoje a gente conta e parece difícil de acreditar, mas eu tive que ser mesário de novo no 2º turno. Foi muito estranho! Eu e o Fernando Diniz tivemos que sair de Serra Negra para trabalhar na eleição novamente", contou o ex-goleiro à ESPN.
Mesmo com mais uma ausência nos treinamentos, os dois jogadores foram relacionados para o confronto contra o Atlético-MG. Fernando Diniz entrou no segundo tempo, enquanto Marcelo permaneceu no banco, com Velloso como titular.
Dessa vez, o Palmeiras venceu por 2 a 0, com gols de Djalminha e Leonardo.
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O mais curioso é que aquela não seria a última experiência do goleiro como mesário. Segundo Marcelo, ele ainda foi convocado para atuar em outras duas eleições depois daqueles episódios.
"Eu ainda tive que ser mesário em mais duas eleições depois dessa! Aí eu transferi meu título de eleitor e acabou de vez", contou.
Na eleição municipal de 1996, mencionada pela ESPN, a disputa pela Prefeitura de São Paulo terminou com a vitória de Celso Pitta, do PPB, sobre Luiza Erundina, do PT.
A história, que poderia ter passado despercebida nos bastidores do futebol, acabou se tornando uma das lembranças curiosas da carreira de Marcelo Moreira: entre concentrações, clássicos, treinamentos e partidas do Campeonato Brasileiro, o goleiro precisou dividir espaço com uma função bem diferente da rotina de um atleta profissional, a de mesário eleitoral.