Criticado duramente por opinião contrária à megaoperação em comunidades do Rio, Luciano Huck em mais de uma vez cogitou se lançar à Presidência da República. Mas muitos anos antes, precisamente em 9 de novembro de 1989, Silvio Santos se viu fora da disputa ao receber sete votos contrários à sua candidatura por parte dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral.
Naquele ano, o fundador do SBT havia se lançado à sucessão de José Sarney pelo PMB e com o número 26 substituindo Armando Corrêa da Silva, cujo nome já estava impresso nas cédulas eleitorais. E no meio do processo contra Silvio Santos, a Globo foi acusada de agir para barrar o empresário na primeira eleição presidencial após o fim do Regime Militar.
O Purepeople te conta, agora, qual foi a reação do jornal "O Globo" no dia seguinte à cassação da candidatura Silvio Santos, que anos antes havia se encontrado com o próprio Sarney diante de risco de perder a concessão do SBT.
"Silvio Santos está fora da eleição", dizia a manchete do jornal carioca na sexta-feira dia 10 de novembro de 1989 em sua capa. Segundo o jornal, a candidatura de "última hora" do apresentador fora vetada por todos os sete ministros. "Dois aspectos tornaram inviáveis a candidatura: a situação irregular do PMB, a legenda que lhe fora cedida, mas não cumprira as exigências da legislação eleitoral e partidária, e a inelegibilidade do animador, por deter efetivo poder de mando na rede SBT", relatou "O Globo".
Na época, Silvio ficou sem chance de poder recorrer ao STF e os votos que foram dados ao PMB seriam considerados nulos. E isso após o fundador do SBT surgir no horário eleitoral e chegar a se ausentar de sua maratona na TV aos domingos. Mas, e o que disse "O Globo"? O jornal chegou a classificar de "versões mirabolantes" supostas conversas entre Sarney e Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, a respeito de Silvio Santos candidato à presidência.
"Configura-se uma orquestração maliciosa, que se vale da leviandade com que jornalistas acolhem notícias fantasiosas sem cumprirem o dever elementar de verificar se procedem. É um dos males que hoje mais danos causam ao prestígio dos meios de comunicação", escreveu "O Globo" em editorial na capa e muito antes de se criar a expressão "fake news".
Segundo o jornal, o mais recente encontro entre Marinho e Sarney havia sido em 3 de outubro, quando Silvio sequer havia se lançado ao Palácio do Alvorada. A publicação ressaltou, ao mesmo tempo, que a amizade entre os dois presidentes era "antiga", "sólida" e marcada por mútuo respeito. No quinto e último parágrafo, "O Globo" escreveu:
"A candidatura do empresário Silvio Santos, por seu turno, merece restrições do jornalista Roberto Marinho, não de natureza pessoal, mas tão-somente causadas pelo oportunismo com que ela se projetou no cenário da sucessão, por meios nebulosos e a poucos dias do pleito, sem que o eleitorado tivesse tido tempo de avaliar a personalidade política do postulante e as perspectivas de gestão por ele oferecidas. Tais restrições foram manifestadas no Globo, ostensivamente, desde o primeiro momento".
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