O influenciador de moda Júnior Dutra faleceu na noite desta sexta-feira (3) após sofrer complicações de saúde associadas a um procedimento estético chamado Fox Eyes, que utiliza fios de PDO para elevar a região dos olhos. Poucos dias antes da morte, Dutra acusou o responsável pelo procedimento, Fernando Garbi, de agir com imperícia e de atuar como médico mesmo sendo dentista.
Segundo Dutra, “não havia riscos”, disse Garbi ao minimizar as advertências quanto à intervenção. Depois do procedimento, o influenciador relatou sentir dor e inflamação: “Assim que eu fiz o procedimento, eu senti como se fosse uma veia estourada do lado esquerdo do rosto. Do lado direito estava tudo ok, mas no esquerdo eu sentia expulsando o fio”.
Ele ainda afirmou que ao buscar auxílio, foi ignorado pelo profissional. “Ele fala: ‘não, isso não é o fio’, enchia minha cabeça de coisa e até doença de pele ele falou que eu estava”, disse. Garbi foi procurado para comentar, mas ainda não se manifestou.
A técnica conhecida como Fox Eyes visa elevar a cauda das sobrancelhas e dar ao olhar um aspecto mais alongado. Uma das formas de realizá-la é com o uso de fios de PDO (polidioxanona), que são inseridos sob a pele com efeito de tração para levantar os tecidos. Embora considerada uma opção minimamente invasiva, essa técnica não é isenta de riscos.
Segundo o médico Drauzio Varella, podem ocorrer hematomas, inchaços, infecções e lesões nervosas, especialmente se a aplicação for feita de forma inadequada ou por profissional sem experiência. O especialista revela que um dos principais perigos é a lesão do nervo frontal, que passa próximo à região da sobrancelha e pode afetar os movimentos da testa.
No Brasil, a regulação de procedimentos estéticos exige que atos médicos (como intervenção invasiva, colocação de fios, injeções etc.) sejam feitos por profissionais legalmente habilitados (médicos, oftalmologistas, dermatologistas, cirurgiões plásticos). Quando alguém sem essas atribuições realiza procedimento, isso configura exercício ilegal da medicina.