Mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros "vive acuada" e é vítima de "campanhas de ódio", levando-a uma "segunda prisão", de acordo com seu advogado Hugo Novais. Há cerca de duas semanas, a professora recebeu perdão judicial após ser condenada por omissão em crime de tortura no julgamento pela morte do filho, em março de 2021.
A decisão provocou reação imediata no pai de Henry, uma vez que a juíza concedeu o perdão a Monique ao apontar que a mãe da criança foi vítima de "misoginia". Seu então companheiro, o ex-vereador Jairinho recebeu pena de quase 44 anos de prisão e, durante o julgamento, pela primeira vez foi acusado pela ex-mulher.
A condenação foi festejada por outras ex-mulheres de Jairinho e que igualmente o acusaram de agressão - seja contra elas mesmas ou contra seus filhos.
Em liberdade desde o dia 4, Monique teve seu momento atual revelado por seu advogado. "Qualquer tipo de limitação que uma pessoa tenha em virtude de uma ameaça acaba se tornando uma segunda prisão. É claro que isso não se compara ao cárcere, mas a Monique vive acuada. Ela recebe, de diversas formas, campanhas de ódio, e isso faz com que permaneça cada vez mais reservada", disse ao "Portal Leo Dias".
A reclusão doméstica hoje é uma constante na vida da professora, segundo a defesa. "Ela não sai. Não vai nem à esquina comprar um refrigerante. A vida dela hoje é extremamente restrita por conta das ameaças que continua recebendo", acrescentou Hugo Novais. O advogado disse ainda que a cliente se dedica ao estudo do longo processo o tempo todo.
"Ela conhece esse processo como poucas pessoas conhecem. Estamos falando de mais de 20 mil páginas que ela estuda diuturnamente", frisou.
Segundo o advogado, Monique "não conseguiu viver o luto do filho", uma vez que por durante anos "precisou sobreviver às acusações, às audiências, aos depoimentos e à prisão". "Não houve espaço para viver o luto de forma adequada", reforçou. A defesa também criticou a demissão de Monique pela prefeitura do Rio por não ter, ao entender dela, os trâmites convencionais.
"Essa demissão não tem compromisso com os princípios constitucionais da administração pública. Ela tem compromisso com o eleitor, com a politicagem", disparou. A demissão partiu de Eduardo Cavaliere, atual prefeito do Rio de Janeiro e aliado de Eduardo Paes, prefeito anterior e futuro candidato ao governo do estado.
Por fim, a defesa de Monique reforçou o medo que ela tem de voltar à cadeia - o Ministério Público já anunciara que iria recorrer da decisão, bem como os advogados de Jairinho. O advogado da mãe de Henry fez coro à juíza Elizabeth Machado Louro em relação ao julgamento da cliente: "O problema da Monique foi nascer mulher".