Galvão Bueno marcou a vida de muita gente com seu trabalho como narrador na TV brasileira, especialmente na Globo. Agora fora da emissora, o icônico comunicador já cobriu acontecimentos históricos, como alguns títulos da Copa do Mundo do Brasil, mas também o fatídico acidente que matou Ayrton Senna em 1994, na Itália.
O piloto, cuja morte já completou 31 anos em 2025, virou assunto nos últimos dias ao ser relembrado em um documentário de Adriane Galisteu no HBO Max. No entanto, o que poucos sabem é que a tragédia que tirou sua vida quase acabou com uma das maiores carreiras da televisão brasileira - e isso foi contado pelo próprio Galvão Bueno no 'Roda Viva', em 2024.
"O acidente aconteceu quando estava abrindo a sétima volta. Não me sai da cabeça um erro que cometi. Era uma vontade que tinha, assim como milhões de brasileiros, que ele pudesse sair bem. A primeira sensação que tive era: vão tirar ele do carro, ele vai bater a poeira e vai embora. Mas aquela demora para tirar do carro, aquela coisa mais séria, não deixa ninguém ver, vem a ambulância, o helicóptero", comentou Galvão Bueno.
Mesmo com a tensão no ar, Galvão viu algumas movimentações e acabou pensando que estava tudo bem com o piloto brasileiro: "Tem um momento em que ele mexe a cabeça. E eu digo: 'Senna mexeu a cabeça, está voltando'. Depois de todas as conversas que tive com o Sid Watkins, que era o médico da Fórmula 1, aquele foi o estertor da morte. Depois ficamos sabendo que a barra da suspensão quebrou, entrou e saiu", confessou.
Durante a entrevista, Galvão Bueno também relembrou o momento em que recebeu a notícia da morte de Ayrton Senna, quando o piloto já estava no Hospital Maggiore, em Bolonha, na Itália. Na ocasião, ele estava acompanhado do ex-piloto de F1 Gerhald Berger, e do empresário do ex-namorado de Adriane Galisteu, Antônio Carlos de Almeida Braga (Braguinha).
"Eu não tive coragem de vê-lo. Quando chegamos eu, Berger e Braguinha, fomos no helicóptero do Berger, o Sid Watkins veio na sala falar com a gente e disse: 'A notícia que eu tenho é a pior possível: ele está morto. O coração bate, mas a morte cerebral já foi determinada faz tempo. Mas posso garantir a vocês que ele não está sofrendo. Não posso impedir ninguém de vê-lo, mas não aconselho'", lembrou.
"Na hora, eu disse que não ia ver, o Braguinha também. O Berger falou que queria entrar para ver pela última vez. Botaram uma roupa para entrar na UTI, ele entrou e eu só fui vê-lo três dias depois no funeral", completou Galvão Bueno, que ainda pediu para que o comentarista Reginaldo Leme prosseguisse com a transmissão.
O que poucos sabem é que essa tragédia mexeu tanto com Galvão Bueno que fez o narrador cogitar encerrar sua carreira há 31 anos. Depois da morte de Senna, outros dois acidentes graves abalaram a Fórmula 1 e o coração do comentarista, que também se emocionou com as homenagens feitas ao brasileiro.
"A corrida seguinte foi em Mônaco. A Fórmula 1 fez uma homenagem fantástica, porque o local da pole position ficou vazio, era o lugar dele. O pole largou na segunda posição. Na quinta-feira, no primeiro treino, teve um acidente terrível. Aquilo me assustou muito, eu disse: 'Não, tudo de novo não'", desabafou.
"A corrida seguinte foi na Espanha, teve outro acidente muito forte. Falei: 'Gente, acho que eu vou parar'. Mas é aquele 'acho que vou parar' naquele momento, naquela hora. Eu sabia que muita história ainda teria que ser contada. Na outra dimensão, onde ele continua brilhando muito, ele não gostaria que eu tivesse parado de transmitir. E foram mais 25 anos", encerrou Galvão Bueno.
O narrador continuou seus trabalhos com a Fórmula 1 na TV Globo até 2019, quando deixou o esporte e, posteriormente, a emissora em dezembro de 2022.