Na última terça-feira (06), completou 29 anos da novela mais curta que a TV Globo exibiu no horário nobre. “O Fim do Mundo” teve apenas 35 capítulos e, na época, a emissora divulgou que o objetivo era testar um novo formato.
Apesar de ter sido divulgada como uma estratégia, a verdade é que “O Fim do Mundo” foi ao ar como um “tapa-buraco”. A Globo se preparava para exibir “O Rei do Gado”, mas um atraso na produção fez com que a data de estreia da novela fosse adiada.
Tradicionalmente, em casos como esse, a Globo estende os capítulos da novela que está no ar, no caso, “Explode Coração”. No entanto, Gloria Perez havia combinado em contrato que seria liberada no início de maio de 1996, para acompanhar o julgamento dos assassinos de sua filha, Daniella Perez, morta três anos antes por Guilherme de Pádua e Paula Thomaz.
A solução encontrada pela Globo foi pegar um projeto que estava sendo escrito como minissérie e exibir na faixa das 20h, entre “Explode Coração” e o “Rei do Gado”.
Última novela do autor Dias Gomes, que morreu três anos depois depois de sua exibição, “O Fim do Mundo” mostra a cidadezinha de Tabacópolis, que vira de cabeça para baixo depois que o vidente Joãozinho de Dagmar (Paulo Betti) prevê o fim do mundo. Acontecimentos estranhos, como um bezerro com duas cabeças e um terremoto, ajudam a reforçar a tese.
A previsão se torna um álibi para muitos moradores realizarem crimes, sonhos esquecidos e vontades reprimidas. Loucos são liberados do hospício, presos são soltos da cadeia… Mas o fim do mundo não acontece e, no dia seguinte, todos precisam lidar com as consequências de suas ações impulsivas.
A novela foi um sucesso de audiência e marcou uma média de 46 pontos, apenas uma a menos da antecessora. Apesar do bom desempenho, a novidade não vingou e o canal nunca mais exibiu uma produção tão curta na faixa das 20h/21h. O fenômeno de “O Rei do Gado”, que elevou a média para 51 pontos, mostrou que os folhetins de mais de 100 capítulos ainda estavam no gosto popular.
“O Fim do Mundo” também foi marcada pelo uso da tecnologia. Segundo a Folha de São Paulo reportou na época, foi a primeira vez que uma novela usou animais e objetos criados por computador.
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