Por trás da imagem de astro do rock internacional, Mick Jagger cultiva uma ligação discreta com a França há mais de quarenta anos. É em Touraine, a poucos quilômetros de Amboise, que ele escolheu se estabelecer em uma propriedade que parece ter parado no tempo.
O Château de Fourchette, antiga residência do Duque Étienne-François de Choiseul, é um refúgio cercado de história e natureza e ali tudo parece ter sido pensado para oferecer ao artista um retiro praticamente particular. Adquirido em 1980 por US$ 477.000 (R$ 2,5 milhões na cotação atual), esse edifício do século XVIII se destaca pela arquitetura elegante e pelos grandes jardins em estilo francês.
Cercada por cerca de vinte hectares de natureza cuidadosamente preservada, a propriedade é um cenário digno de um conto de fadas. Com caminhos simétricos, bosques esculpidos e vistas panorâmicas, o lugar é o puro aconchego, onde o tempo parece passar mais devagar. Por trás dessa fachada clássica, porém, existe um espaço vibrante, moldado ao longo dos anos por seu ilustre proprietário.
Mick Jagger preservou o ambiente histórico do castelo, mas também deu um toque de modernidade que só um vocalista do Rolling Stones poderia: por lá, ele desfruta de um lago, uma cachoeira, uma piscina e até uma quadra de tênis, um dos seus esportes favoritos.
Ainda mais surpreendente, um pagode japonês clássico (torre com vários andares de telhados curvados) se destaca no centro jardim, dando um toque de exotismo ao cenário tipicamente francês. Com o passar dos anos, a propriedade se tornou muito mais do que uma segunda casa e virou um refúgio para o cantor, que sempre volta ao local para comemorar seu aniversário em 26 de julho.
Embora o Château de Fourchette seja impressionante pela localização, o que existe dentro da propriedade também chama atenção. Por trás de suas paredes históricas, Mick Jagger conta com um estúdio de gravação profissional que, durante anos, foi um completo segredo para muita gente.
Foi ali que os Rolling Stones trabalharam no álbum 'A Bigger Bang', marcando o retorno da banda ao estúdio depois de vários anos. Nesse espaço reservado, o processo criativo acontece longe das pressões habituais da indústria musical, e a tranquilidade da região de Touraine oferece ao artista um ambiente propício à inspiração.
Mick Jagger já compartilhou, em diversas ocasiões, imagens desses momentos, aparecendo com um violão nas mãos ou durante uma sessão de gravação.
Mas a vida no castelo não se resume à música. Em alguns períodos, especialmente durante a pandemia, o cantor mostrou um lado mais inesperado de sua rotina. Jardinagem, projetos de bricolagem, culinária e manutenção da propriedade são atividades que contrastam bastante com sua imagem de rockstar f*dão nos palcos. Ele já foi visto podando roseiras, pintando portas novamente e cuidando dos animais, como um proprietário de casa quase comum.
Por incrível que pareça, essa simplicidade também conquistou os moradores de Pocé-sur-Cisse, já que, ao longo dos anos, Mick Jagger se tornou parte da comunidade local, adotando um estilo de vida discreto. Alguns relatos mencionam suas visitas a lojas da região e suas conversas em francês com os vizinhos.
Dentro do castelo, o requinte continua presente na decoração cuidadosamente planejada, resultado do trabalho de artesãos apaixonados. Um deles confidenciou: "Dependendo da luz, o ambiente fica vermelho ou amarelo. Dependendo do sol, a cor muda".
Longe de ser apenas um cenário bonito, a residência é acolhedora e convidativa. "Não é extravagante, é de bom gosto; você se sente em casa, não em um museu", explicou o artesão. Assim, por trás dos muros do Château de Fourchette, Mick Jagger criou um mundo que carrega muito de sua própria personalidade.
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