Existem diversas lembranças e registros do Acidente com Césio-137 em Goiânia, e embora a série 'Emergência Radioativa' dramatize o evento, nada substitui o relato real de quem viveu a tragédia.
A mãe de Leide das Neves Ferreira, retratada como Celeste, descreveu em entrevista dada em 2025 ao portal "Mais Goiás" os momentos em que a contaminação aconteceu dentro da casa da família, em 1987.
Lurdes Neves Ferreira relatou como a contaminação da filha ocorreu de forma inesperada dentro de casa. Sem conhecimento do perigo, o pai da menina levou um fragmento do material radioativo para o lar. Fascinada pelo brilho do pó, Leide começou a manuseá-lo, sem imaginar os riscos.
“Ela tinha pedido um ovo cozido e foram olhar esse brilho. Eu descasquei o ovo, coloquei na mesa e fui chamar ela para comer. Ela estava com uma mão na mesa e a outra terminando de comer o ovo, e [tinha] um caldo preto escorrendo da mão dela”, contou Lurdes ao site Mais Goiás. A mistura do Césio com a água do ovo tornou a situação ainda mais dramática.
Lurdes também teve contato com a substância, mas não desenvolveu complicações graves. Já Leide, de apenas 6 anos, não resistiu aos efeitos da radiação e se tornou uma das vítimas mais emblemáticas do acidente.
Hoje, aos 74 anos, Lurdes vive com uma pensão vitalícia de R$ 954, valor insuficiente para cobrir todos os custos médicos, e recorda a perda do marido, Ivo Alves Ferreira, morto em 2003 após exposição ao material. A antiga residência da família foi demolida durante a descontaminação, e eles se mudaram para Aparecida de Goiânia, sem retorno ao local.
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