A investigação em torno do acidente de helicóptero que matou o cantor sertanejo Rick Sollo, dupla de Renner, segue a todo o vapor. Após a localização do local exato da queda da aeronave e da retirada dos corpos, a perícia agora analisa todas as imagens para tentar encontrar o que causou a tragédia, que além do artista deixou outros 4 mortos.
Em entrevista ao "Fantástico", o engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros opinou, após analisar as imagens: "O que pode ter acontecido é falha humana, causada por condições meteorológicas ruins. Uma especulação muito preliminar é que o helicóptero estava com a cauda pra cima. Então, não me parece que ele tenha tentado pousar, absolutamente. A impressão que dá é que ele bateu voando, vamos dizer".
Jorge Eduardo explicou ainda que por se tratar de um helicóptero de qualidade, com duas turbinas a jato, não acredita em falha mecânica. "Você numa região de Serra, a visibilidade pode ser ruim, mas você pode ter ventos também", avaliou. E completou, dizendo que pode ter acontecido um fenômeno chamado downdraft, quando uma corrente de ar empurra a aeronave para baixo.
À frente da aeronave, o comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira mostraram preocupação com o mau tempo que poderiam enfrentar durante o voo. Operador do aeroporto em Lages, Juliano Luft revelou ter trocado mensagens com Leopoldo horas antes da decolagem.
Segundo ele, primeiro enviou uma foto mostrando que as condições visuais eram boas naquele momento, mas logo em seguida avisou: "Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor". Pouco tempo depois o próprio piloto pediu a ele mais informações sobre o tempo em Lages, onde fariam um pouso para abastecer.
"Eles sabiam dessa frente fria, de alerta vermelho [da Defesa Civil], que estava se aproximando. Inclusive já tinha chegado em Criciúma, né". garantiu Juliano, que ainda tentou entrar em contato mais uma vez com os dois, às 11h17, já sem receber um retorno.