A novela "Rainha da Sucata", originalmente exibida pela TV Globo em 1990, está em reprise atualmente na emissora desde novembro de 2025, caminhando para sua reta final. O público que tem o costume de acompanhar a trama tem se deparado com inúmeros personagens emblemáticos da história de Sílvio de Abreu.
Dentre eles, podemos citar a destemida Maria do Carmo, vivida por Regina Duarte, além de Edu (Tony Ramos), a maldosa Laurinha (Glória Menezes), e a icônica mãe de família Dona Armênia, vivida pela saudosa atriz Aracy Balabanian.
Esta, em específico, era rival de Maria do Carmo, tinha um sotaque marcante, era conhecida por seu comportamento espalhafatoso e costumava falar alto demais. Se pegarmos esse jeito da personagem para analisar, realmente é curioso tentar entender o motivo pelo qual algumas pessoas falam muito alto.
A psicologia tem o costume de estudar diversos assuntos, como algumas atitudes do comportamento humano, ou até mesmo alguns hábitos que as gerações passadas tinham, e que hoje o mundo já age de maneira diferente. E a temática de falar alto também não ficaria de fora da análise.
Para muitos, isso pode parecer uma atitude deselegante, no entanto é um tema que vale a reflexão. Existem pessoas que têm um tom de voz mais alto, e isso nem sempre é resultado de uma educação negativa. Os hábitos podem ter sido construídos a partir da cultura e do meio onde vivem.
Por exemplo, as pessoas que nascem na Itália geralmente tem vozes mais graves e potentes, como podemos observar no personagem Bartolo (Antonio Calloni) de "Terra Nostra", atualmente em reprise na faixa especial da TV Globo. Isso geralmente é considerado um comportamento enérgico, sinal de alegria e disposição.
Ter o hábito de gritar ou rir muito alto é comum quando estamos rodeados de amigos durante um aniversário ou em uma comemoração, por exemplo. Porém, em alguns países escandinavos, isso não seria tolerado: as pessoas costumam valorizar o silêncio e o respeito ao espaço de cada um.
Em alguns momentos, ter o costume de falar alto é resultado de emoções fortes e extravagantes, guardadas dentro de si. Dentre elas, podemos citar a alegria, a excitação, e de cunho negativo também tem o estresse. Isso é algo inato de nós, seres humanos.
O corpo humano possui vários hormônios, e alguns deles são liberados durante esses momentos intensos, causando rigidez muscular, deixando a respiração mais descompassada, o que influencia no modo como nos comunicamos.
Outra situação bem comum é a de alguns indivíduos terem o hábito de falar alto quando estão no telefone: isso incomoda bastante quem está em volta. Já imaginou quando estamos no transporte público vindo para casa? Para alguns estudiosos, isso pode estar ligado à falta de controle sobre a nossa própria voz.
Quando estamos vendo o outro, temos mais controle sobre nossas cordas vocais. Mas, usando a tecnologia, não percebemos. E em ambientes barulhentos, cheios de ruídos, o cérebro capta um sinal para responder, falando cada vez mais alto.
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Para alguns especialistas na área, é comum que pessoas mais extrovertidas falem mais alto, e com mais frequência, diferentemente daquelas consideradas mais tímidas e introvertidas, rodeadas de menos amigos.
Paralelamente, pessoas com alto grau de personalidade também se comunicam dessa forma: geralmente ocupam cargos de liderança, são carismáticos, e altamente comprometidos. Falar alto, contudo, também pode estar relacionado à situações negativas, como o desejto em ter um espírito dominador ou controlador.
Grupos específicos que não conseguem ter controle sobre sua voz podem acabar tomando atitudes mais impulsivas, tendo maior dificuldade em controlar suas emoções. Isso pode acabar gerando um certo desconforto para quem está "do outro lado da linha", concorda?
Um outro hábito curioso está relacionado ao fato de que pessoas inseguras ou tímidas também podem falar alto, acredita? Isso pode ser um sinal de como elas tentam lidar com a baixa autoestima, aumentando a voz para "serem notadas" ao redor.
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Deter o controle de tudo realmente é algo complexo de se imaginar, e com a voz não seria diferente. A maneira como falamos e agimos perante a sociedade é algo que deve ser levado em consideração.
Para alguns estudiosos, os seres humanos são dotados de opiniões divergentes sobre as pessoas que conhecem ao longo da vida, logo nos primeiros 30 segundos, impactando de maneira direta nas relações e interações, uns com os outros. Também tem aquela questão quando "o santo não bate", isto é, a falta de empatia.
Em diversas culturas, ter o hábito de falar alto, ou até mesmo gritar, está diretamente associado à falta de educação, grosseria, ou atitudes agressivas. Sendo assim, é imprescindível refletir sobre como falamos e passamos nossa comunicação adiante.
Como sou da área da comunicação, costumo gravar vídeos ou áudios no meu celular, para treinar e colocar cada vez mais em prática, tentando entender como sou observada pelos outros. E, se você quer tentar falar mais baixo, tente respirar profundamente por algumas vezes, além de falar mais devagar. Na nossa geração, tudo costuma ser muito veloz.