Há algumas semanas, uma trend sobre responsabilidade emocional vem circulando nas redes sociais. Muita gente começou a cronometrar quanto tempo leva para responder a uma mensagem com algo simples como "Te respondo depois, quero te responder com calma" ou "Estou com muito trabalho, por isso demoro um pouco para responder, te respondo depois. Te amo".
A psicóloga Marta Barranco comentou o assunto em suas redes e disse que "receber uma mensagem e não responder é uma escolha".
Não existe um tempo exato que determine quando alguém deve responder no WhatsApp. Não dá para afirmar que, em relações próximas, a resposta deve vir em até cinco minutos, enquanto em relações menos importantes pode demorar um dia inteiro. Esse tipo de regra ignora o contexto de cada pessoa, da sua rotina e da dinâmica do relacionamento.
Existem vários motivos que podem explicar a demora. Algumas pessoas se sentem sobrecarregadas com tantas notificações e mensagens. O psicólogo Dr. Christian Jarrett afirmou que "pode ter medo de ser ignorado, mas outra possibilidade é que a outra pessoa esteja com dificuldades em encontrar a melhor forma de responder".
Ainda segundo ele, "pessoas com tendências perfeccionistas podem ter dificuldade em responder: querem que a sua resposta seja correta, suficientemente espirituosa, educada, compreensiva ou divertida", e por isso acabam demorando mais.
Mas Marta Barranco faz uma distinção importante entre não responder por causa do contexto e não responder porque não quer. “Saber que a outra pessoa está passando por um momento difícil e nem sequer perguntar é uma escolha”, explicou ela, assim como "ignorar a outra pessoa enquanto olha para o celular também é uma escolha".
Vivemos em uma era de mensagens instantâneas e hiperconexão. O celular deixou de ser apenas uma ferramenta e virou quase uma extensão da mão. Isso não significa que precisamos estar disponíveis o tempo todo, mas mostra que, quando já vimos a mensagem e optamos por não responder, essa decisão pode magoar.
Muitas vezes, quando o silêncio acontece, surgem interpretações automáticas como "Eles estão me ignorando" ou "Eles não se importam comigo". Segundo especialistas, essas conclusões costumam ser projeções das nossas próprias inseguranças.
Nem todo silêncio é desprezo, embora às vezes possa ser usado dessa forma. Existem situações em que a pessoa realmente está priorizando trabalho, família ou outras demandas do momento. Desta forma, presumir desinteresse sem entender o contexto pode gerar frustração e mal-entendidos.
Ao mesmo tempo, existe um gesto simples que pode fortalecer o vínculo: enviar uma mensagem curta como "Te escuto depois" ou avisar que não é um bom momento e que responderá mais tarde. O desafio está em equilibrar a ansiedade de quem espera com a responsabilidade emocional de quem responde.
Para a psicóloga, o ponto central não é a falta de tempo, mas o fato de que "você escolhe todas essas coisas sabendo que, ao fazê-lo, está magoando a outra pessoa", o que demonstra pouca inteligência emocional e empatia. Ela acrescenta que, ao agir assim, você pode estar magoando justamente a pessoa que deveria estar cuidando.
"Que tipo de relacionamento você quer construir se, quando precisa escolher, sempre escolhe o que magoa a outra pessoa?", questiona.
Talvez não seja algo automático escrever "Vou ler sua mensagem mais tarde, estou ocupado(a), mas eu te amo", mas, como lembra a psicóloga, "existem mil coisas que não nos são naturais, mas precisamos nos esforçar porque amamos a outra pessoa e queremos cuidar dela". Por isso, segundo Marta Barranco, "precisamos escolher: escolher cuidar quando existe a possibilidade de causar danos". Às vezes, dez segundos são suficientes para que o outro se sinta visto, acolhido e seguro.