Paolla Oliveira soltou o verbo nas redes sociais nesta quarta-feira (14) após declarar voto em Lula e receber uma enxurrada de ataques machistas de homens que, até pouco antes, a tratavam como objeto de desejo.
Em um desabafo poderoso publicado no Instagram, a atriz escancarou a hipocrisia por trás das mensagens: para alguns, ela é bonita e gostosa enquanto permanece no lugar que eles esperam. Basta expressar uma opinião própria para virar alvo de insultos. Eita!
"Você é linda e gostosa, mas é uma porta. Deixando de seguir", escreveu um perfil na DM da atriz. "É até bonita, mas lhe falta inteligência. Pobre alma", disparou outro. Teve ainda quem partisse para o xingamento explícito: "Vai tomar no c* Paolla Oliveira, sua v*gabunda". "Bonita por fora, mas podre por dentro", completou mais um. Pois é... bastou falar de política para a suposta admiração (assédio) virar uma sequência de ofensas!
Diante da situação, Paolla decidiu expor não apenas os ataques, mas também a contradição que eles revelam. "Bastou eu falar do meu voto pra chegar isso aí. O curioso é que esses mesmos homens, na mensagem logo anterior, me tratavam como um corpo à disposição deles: 'delícia', 'gostosa', 'era dentro'. Aí eu digo o que penso e eles mandam isso. Minhas opiniões podem ser debatidas, minhas escolhas podem ser criticadas. Mas ofensa não é argumento", começou.
A atriz também explicou que sua escolha política não está desconectada dos valores que defende e das condições de vida que deseja para outras pessoas. "Meu voto tem a ver com quem eu sou e com o que defendo todos os dias. Com a liberdade de fazer escolhas, com o respeito à vida de outras pessoas e com a possibilidade de viver com dignidade. Sei que muita coisa a que eu tenho acesso ainda está longe de ser um direito garantido para todo mundo. Isso também orienta a minha escolha", afirmou.
Na sequência, Paolla ampliou a discussão para além da própria experiência e chamou a atenção para a responsabilidade de quem disputa o voto dos brasileiros. Para ela, a maneira como essas pessoas lidam com o preconceito, os direitos e a violência também precisa entrar na conta na hora de escolher um candidato.
"Por isso, também importa como quem pede nosso voto trata as pessoas. Se minimiza o preconceito, relativiza direitos ou apresenta a violência como resposta, precisamos levar isso a sério. A gente conhece as consequências dessas atitudes no trabalho, na rua, dentro de casa. Se fazem isso com uma pessoa conhecida, com milhões de pessoas olhando, imagina o que ouve a mulher que dá opinião no almoço de domingo, no trabalho, no grupo da família", refletiu.
A mensagem final foi um recado direto às mulheres que também enfrentam tentativas de controle e intimidação quando expressam suas opiniões. "Esse post também é pra ela. E pra lembrar: seu voto é seu. Não é do seu marido, do seu pai, do seu patrão. É você quem decide", concluiu. Diva!
Quem também levou às redes sociais mensagens que escancaram esse tipo de comportamento foi Mell Muzzillo. A atriz compartilhou prints de um seguidor que, antes de questionar suas opiniões políticas, enviava comentários de cunho sexual sobre seu corpo. O homem, além de assediador, era casado.
Depois que ela manifestou apoio a Lula, o tom mudou, e as mensagens passaram a incluir provocações políticas. Mell também denunciou ataques racistas e intolerância religiosa.