A estreia de 'Quem Ama Cuida', nova novela das nove da Globo, já chegou movimentando as redes sociais e dividindo opiniões do público. A trama escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto apostou em um primeiro capítulo intenso, dramático e recheado de emoção.
Mas, apesar dos elogios ao elenco e ao tom humano da história, alguns erros grotescos acabaram chamando bastante atenção dos telespectadores logo de cara.
O primeiro deles foi praticamente impossível de ignorar para quem conhece bem São Paulo, especialmente os usuários do metrô. Durante uma sequência da trama, o sistema de som da composição anunciava a chegada à estação Trianon-Masp, na Avenida Paulista. Até aí, tudo bem. O problema é que as imagens exibidas eram claramente da estação Sumaré.
Quem conhece a capital paulista percebe imediatamente a diferença entre as duas. A estação Trianon-Masp é subterrânea, já a Sumaré é elevada, aberta e famosa justamente pela vista da cidade. Ou seja, a Globo sequer teve o cuidado de adaptar o nome da estação para uma locação visualmente semelhante, algo que rapidamente virou assunto nas redes sociais.
Outro ponto que incomodou parte do público foi o sotaque paulista carregado de alguns protagonistas, principalmente Letícia Colin e Chay Suede, os protagonistas da novela. Em diversos momentos, a tentativa de reproduzir a fala paulistana pareceu exagerada e artificial, destoando bastante do restante do elenco.
Curiosamente, isso lembra o que aconteceu recentemente em 'Três Graças', quando Murilo Benício surgiu no primeiro capítulo com exagero no sotaque de Santiago Ferette. Na época, muitos reclamaram, mas aos poucos o público acabou se acostumando com o jeito do personagem. Talvez aconteça o mesmo agora.
Em contrapartida, 'Quem Ama Cuida' apresentou vários acertos que merecem atenção e que mostram potencial para a novela conquistar o público nas próximas semanas.
O elenco apareceu muito seguro já no primeiro capítulo. Letícia Colin mostrou força dramática sem exagerar no sofrimento da mocinha Adriana, enquanto Chay Suede e Isabel Teixeira também entregaram personagens consistentes logo na estreia.
Mas quem roubou a cena mais uma vez foi Tony Ramos. O veterano emocionou profundamente nas cenas da enchente que destrói a vida de Otoniel. Com poucos gestos e um olhar desesperado, ele conseguiu transmitir toda a dor e impotência diante da tragédia.
Jesuíta Barbosa deixou sua marca logo na estreia como Carlos, o marido apaixonado de Adriana. O ator participou intensamente das cenas da enchente e emocionou o público com a química construída ao lado de Letícia Colin.
Na coletiva virtual da novela, acompanhada pelo Purepeople, a própria atriz destacou a importância do colega nas sequências dramáticas da tragédia climática. E não há dúvidas de que o personagem deixará saudades rapidamente.
A trilha sonora também apareceu como um dos grandes trunfos da novela. A música de abertura, 'Pra Melhorar', parceria entre Marisa Monte e Seu Jorge, caiu perfeitamente no clima da trama.
Além disso, a novela mostrou diversidade musical interessante, misturando pagode, piseiro, MPB e pop de maneira natural, algo que ajuda a aproximar ainda mais o público das emoções da história.
Um detalhe que trouxe forte nostalgia para os noveleiros foi a volta dos depoimentos reais ao final do capítulo. Esse recurso ficou muito famoso em novelas de Manoel Carlos, como 'Mulheres Apaixonadas' (2003) e 'Páginas da Vida' (2006).
Logo na estreia, 'Quem Ama Cuida' apresentou a história emocionante da professora Grazi Mendes, paciente em tratamento contra um câncer avançado. Ela falou sobre a importância do carinho recebido do marido Bruno e do jardineiro Lino durante o tratamento.
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