'Três Graças' chega ao fim nesta sexta-feira, 15 de maio, deixando uma sensação cada vez mais rara na teledramaturgia: a de que finalmente uma trama conqusituou o público com história simples, bons protagonistas e vilões carismáticos. Escrita por Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva, a novela surgiu após 'bombas' como 'Vale Tudo' e 'Mania de Você'.
Mas, mesmo querida, 'Três Graças' também teve seus tropeços. Entre grandes acertos e erros difíceis de ignorar, a novela certamente ficará na memória dos noveleiros. Confira!
Há muito tempo a Globo não acertava tanto em uma protagonista quanto com Gerluce, personagem de Sophie Charlotte.
A mocinha caiu rapidamente nas graças do público justamente porque parecia real. Gerluce pegava ônibus, chegava atrasada, enfrentava problemas financeiros e reagia às situações de maneira humana, impulsiva e emocional. Era uma personagem muito mais próxima da vida cotidiana dos brasileiros do que aquelas protagonistas excessivamente perfeitas.
Outro enorme acerto foi Grazi Massafera interpretando Arminda, a inesquecível dona Cobra.
Depois de já ter mostrado força dramática em 'Verdades Secretas' e 'Bom Sucesso', Grazi recebeu finalmente uma vilã de peso no horário nobre. Debochada, manipuladora e cheia de frases ácidas, Arminda virou praticamente um fenômeno nas redes sociais.
Muito disso aconteceu graças ao carisma natural de Grazi, que encontrou uma química forte com Murilo Benício em cena. O próprio ator teria ajudado a colega a relaxar nos bastidores, algo que refletiu diretamente na leveza em sua entrega cênica.
Talvez o único ponto que tenha faltado em Arminda tenha sido uma vilania ainda mais pesada, no estilo de Nazaré Tedesco. Ainda assim, a personagem certamente entra para a galeria de grandes antagonistas recentes da Globo.
Um dos maiores méritos de 'Três Graças' foi tratar os romances secundários com carinho e desenvolvimento.
O casal 'Loquinha', formado por Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski), virou praticamente uma novela paralela dentro da trama principal. O relacionamento das duas conquistou uma legião de fãs justamente por fugir dos clichês e construir afeto de maneira gradual.
Ao mesmo tempo, Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes) também surpreenderam ao ganhar torcida nas redes sociais.
Não há como deixar de citar o pior núcleo cômico da novela. A família de Rivaldo (Augusto Madeira) e Alaíde (Juliana Alves) acabara, se tornando um dos pontos mais criticados da história.
A tentativa de criar humor através de fofocas exageradas e situações caricatas simplesmente não conectou com o público. Faltava ritmo!
Perto do fim, os autores tentaram corrigir a rota ao inserir o diagnóstico de autismo do filho do casal, trazendo uma camada mais dramática e sensível. Só que a essa altura o desgaste do núcleo já era grande demais.
Talvez o problema mais evidente de 'Três Graças' tenha sido o desperdício de alguns atores extremamente talentosos.
Carla Marins, por exemplo, praticamente desapareceu durante semanas no início da novela. Sua personagem, Xênica, tinha potencial, mas recebeu um texto superficial e pouco desenvolvido para uma atriz tão experiente.
A lista de talentos mal aproveitados ainda inclui Juliana Alves, Otávio Müller, Júlio Rocha, Amaury Lorenzo e Rejane Faria.
O reencontro de Belo e Viviane Araújo em cena parecia ter tudo para virar um grande acontecimento televisivo. Afinal, os dois tiveram um relacionamento extremamente conhecido fora da ficção. Só que o impacto esperado simplesmente não aconteceu.
Embora ambos tenham trabalhado de forma profissional, o romance entre Consuelo e Misael nunca convenceu completamente o público. Talvez justamente pelo distanciamento emocional evidente entre os dois fora das telas.
A própria Viviane chegou a admitir desconforto em algumas cenas de beijo, algo que inevitavelmente acabou repercutindo na química do casal.