Quem é das grandes metrópoles certamente conhece ou já frequentou o Madero. Mas, muito mais do que um popular restaurante de hambúrguer, a empresa também é alvo de diversas polêmicas e processos judiciais que envolvem até o seu CEO, Luiz Renato Durski Junior, conhecido como chef Junior Durski.
De acordo com informações do site Regionalzão, a Rede Madero foi alvo de uma operação de fiscalização em Minas Gerais entre março e julho deste ano. Nesse período, auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/MG) inspecionaram 12 unidades da rede no estado e constataram uma série de problemas. O resultado foi a emissão de 193 autos de infração, número que pode levar a multas de até R$ 200 milhões, já que cada auto pode alcançar o valor de R$ 3,4 milhões.
Os fiscais apontaram um conjunto de irregularidades, incluindo jornadas de trabalho excessivas, a ausência de registro formal de empregados e descontos irregulares nos salários. O relatório também detalha situações de discriminação em editais de contratação, com exigências ilegais relacionadas a idade e estado civil, além de falhas estruturais em alojamentos oferecidos aos trabalhadores, onde haveria monitoramento constante e rígido controle sobre a rotina.
Outro ponto que chamou atenção foi a falta de medidas eficazes contra assédio moral e sexual dentro da empresa. Em algumas localidades, trabalhadores precisavam percorrer longos trajetos a pé, mesmo após a meia-noite, por não receberem vale-transporte adequado. Todos os autos de infração foram encaminhados a órgãos como Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, sindicatos e à própria Secretaria de Inspeção do Trabalho.
Diante das acusações, o Grupo Madero respondeu oficialmente dizendo que recebeu o relatório "com respeito e atenção". Segundo o Regionalzão, a empresa disse que irá investir em alimentação balanceada, programas de capacitação e acompanhamento das equipes, e afirmou estar aberta ao diálogo com as autoridades para corrigir os pontos levantados.
Muito antes das polêmicas recentes com o Grupo Madero e as acusações citadas acima, Junior Durski já dava o que falar na internet. Durante a pandemia de Covid-19, ele foi duramente criticado ao dizer que o país "não podia parar por cinco ou sete mil mortes", mas também apoiou Jair Bolsonaro nas últimas eleições.
Em entrevista ao jornal O Globo, o empresário relembrou algumas palavras de seu avô, que tinha um açougue e mercadinho: "Junior, quem abriu comércio não tem candidato, não tem político. Não pode tomar partido muito fácil porque para o negócio não é bom", narrou.
Tentando quitar uma dívida que se aproxima de R$ 1 bilhão, além de prejuízos acima dos R$ 700 milhões, o Grupo Madero sofreu com as declarações de Junior Durski pró-Bolsonaro, que geraram uma onda de cancelamento na época. Embora garanta que as dívidas não tenham relação com seu posicionamento político, o CEO garantiu que não faria mais declarações sobre política.
"Se me perguntar: 'Faria de novo?'. Não, eu iria seguir a recomendação do meu avô e tocar a vida. A torcida é muito grande para que tudo dê muito certo. E naquilo que a gente puder ajudar é o que tem de acontecer. O Brasil é um país maravilhoso, forte, com um povo muito trabalhador, uma potência mundial em trabalho, em território, que é abençoado. Já passamos por tanto. Está difícil, mas nunca foi fácil", explicou.