As vitórias incríveis e a calcinha rosa que escandalizou o mundo sao algumas marcas da maior tênista do mundo: Maria Esther Bueno.
Neste domingo, 11 de outubro, o esporte brasileiro tem um motivo especial para olhar para o passado com orgulho e nostalgia: a 'Bailarina do Tênis', que completaria 97 anos.
Dona de 19 títulos de Grand Slam e de uma trajetória que ultrapassou as fronteiras do esporte, ela entrou para a história como uma das maiores atletas brasileiras de todos os tempos.
Maria Esther foi uma das pioneiras na transformação da técnica do saque feminino. Ao torcer o dorso e saltar em direção à bola, conseguia imprimir uma potência impressionante mesmo utilizando as pesadas raquetes de madeira da época. Seu estilo ajudou a abrir caminhos para uma nova maneira de jogar tênis.
Em 1964, a brasileira protagonizou um feito extraordinário ao vencer a final do US Open em apenas 19 minutos, estabelecendo um recorde histórico de rapidez em uma decisão de Grand Slam.
Sua carreira também foi marcada por outra conquista inédita: Maria Esther foi a primeira brasileira a alcançar o posto de número 1 do ranking mundial de tênis, posição que ocupou em 1959, 1964 e 1966.
Ao todo, foram 589 títulos ao longo de sua trajetória, incluindo os 19 de Grand Slam que ajudaram a consolidar sua fama internacional. Na década de 1960, a tenista chegou a estampar a capa da revista O Cruzeiro ao lado de Pelé, outro símbolo brasileiro que conquistava o mundo.
No ano de 1962, quando voltava de um período afastada por causa de uma lesão, Maria Esther resolveu inovar. Ao entrar na quadra Central, em Londres, no Reino Unido, usava um vestido branco que parecia respeitar a tradição do All England Club, organizador do torneio, de exigir roupas inteiramente brancas.
A surpresa veio quando apareceu um forro rosa com uma calcinha era da mesma cor. O detalhe, que hoje pode parecer pequeno, provocou repercussão em uma instituição marcada pelo conservadorismo.
Mas quem realmente se escandalizou com a calcinha rosa? O historiador do tênis Rob Lake ajuda a entender a reação da época.
"Como uma instituição conservadora, em todos os sentidos da palavra, o AELTC teria considerado os babados do vestido dela... de mau gosto e impróprios para uma dama", disse em entrevista à BBC.
Em uma época em que as mulheres enfrentavam regras rígidas sobre comportamento, aparência e espaço público, Maria Esther demonstrava que uma atleta podia ser competitiva, elegante e dona das próprias escolhas. Vale lembrar que, até a década de 1980, somente homens integravam o comitê do clube.
Lendária, única e formidável, Maria Esther Bueno morreu em 8 de junho de 2018, aos 78 anos, vítima de câncer na garganta. Ela não se casou nem teve filhos, mas deixou uma herança esportiva que continua viva na memória de fãs, atletas e admiradores do tênis.
Ao completar simbolicamente 97 anos neste domingo, a 'Bailarina do Tênis' merece ser lembrada não apenas pelos recordes e títulos, mas também pela coragem de ocupar espaços e questionar padrões.