Este domingo (19) é dia de rei! Roberto Carlos completa 85 anos sem perder a majestade e ainda intocável no trono de maior nome da música brasileira. Dono de sucessos que atravessam gerações e sinônimo de fim de ano na TV, o cantor já se envolveu em algumas polêmicas ao longo da longeva carreira.
Em uma delas, o intérprete de "Nossa Senhora" e "Jesus Cristo" se mostrou favorável à censura. O motivo? O filme "Je Vous Salue, Marie", produção da França em parceria com Suíça e Reino Unido, foi impedido de ser exibido no Brasil - decisão revertida apenas em 1988.
A gente explica que no longa tinha uma grande referência à Bíblia, mas ambientado nos dias atuais. Maria, jovem estudante e namorada de José, ficava grávida e era acusada pelo motorista de táxi de traição. Surgia então o anjo Gabriel para tentar mudar a cabeça do rapaz. Em cena polêmica, Myriem Roussel, a protagonista, aparecia em nu frontal.
A Polícia Federal chegou a impedir a exibição do filme em fevereiro de 1986 e efetuar uma prisão em confusão que envolveu Fernando Gabeira, detido, e Lucélia Santos, Maitê Proença e Edwin Luisi, que saíram em defesa do hoje comentarista da GloboNews. O Papa João Paulo II (1920-2005) se mostrou contrário ao longa.
"Não vi e não gostaria de ver. Sou contra esse tipo de filme que mexe com divindades. Acho que deve haver respeito para com a Virgem Maria. Pelo que li sobre o filme, estou de acordo com o presidente (José) Sarney pelo veto à sua exibição", afirmou o cantor à revista "Veja" em fevereiro de 1986.
O artista reforçou ser a favor de um controle governamental, que já havia cortado cenas de novela da Globo por referência o homossexualismo. "Em certos casos a Censura deve agir. Acho errado, por exemplo, certos filmes erem exibidos na TV, mesmo depois das 10 horas da noite", defendeu Roberto, um dos maiores vencedores do Troféu Imprensa.
"As crianças de hoje não vão dormir às 10 horas e nem sempre os pais estão disponíveis para proibi-las de ver os filmes impróprios. Acho que determinados filmes não deveriam ser permitidos para a TV ou deveriam ser cortados", apontou o artista pai de quatro filhos e, na época, telespectador das novelas "Roque Santeiro" e "Ti-Ti-Ti", ambas exibidas de 1985 a 1986.
Em outro momento, Roberto Carlos foi questionado "como encara o feminismo". "A mulher deve reivindicar seus direitos mas jamais pode deixar de lado a imagem de mulher, a beleza e o cuidado físico consigo própria. Cabe a cada mulher achar o equilíbrio entre esses dois lados", opinou.
Por fim, apoio a quantidade de dinheiro que pagava de Imposto de Renda. "No começo da carreira, ficava indignado com o que tinha que pagar, mas hoje não reclamo. A preocupação que tenho é se esse dinheiro será bem usado, o que nem sempre acontece", concluiu o compositor de "Detalhes" e "Emoções".