Rubens Barrichello completa 54 anos neste sábado (23) como piloto da Scuderia Bandeiras da Stock Car, modalidade na qual estreou em 2012. Antes, o brasileiro correu de 1993 a 2011 na Fórmula 1, sendo duas vezes vice-campeão mundial (2002 e 2004) pela Ferrari, onde foi companheiro de equipe de Michael Schumacher, este vítima de um gravíssimo acidente em pista de esqui no final de 2013.
Paulista da capital e com 11 vitórias na F1, Barrichello ainda passou pela Indy, modalidade onde o italiano Alessandro Zanardi, morto no começo do mês, fez história. Mas o que poucos sabem é que o pai e o avô do piloto tiveram grande importância no começo da carreira daquele que seria o contratado de outras equipes como Jordan.
Em outubro de 1991, após Barrichello conquistar o título da Fórmula-3, o pai dele, Rubens Barrichello Filho admitiu ter se desfeito de uma propriedade para financiar a carreira do futuro nome da F-1. "Em 1987, 1988, vendi uma casa para manter o Rubens na Fórmula-Ford", explicou ao "O Globo".
"Desde o início, ele mostrou uma grande habilidade como piloto e nós fomos dando tudo que era necessário para que fosse feliz na profissão. É claro que tive o receio que todo pai tem. No começo, fiz três eletrocardiogramas, mas depois acabei acostumando. A vida dos pais continua no sucesso dos filhos", prosseguiu Rubens pai sobre o filho que seria alvo de várias brincadeiras controversas do "Casseta & Planeta, Urgente!" associadas à suposta lerdeza nas pistas.
Mas bem antes disso, quem teve papel de importância na vida de Barrichello foi o avô por parte de mãe, o sr. Mário. Aos 6 anos, o "nono" (avô em italiano) deu de presente para o neto um "passarinho", relatou o mesmo jornal em igual época. Mas não se trata, claro, de um pardal ou sabiá.
E sim de um kart, onde Ayrton Senna (1960-1994) também havia estreado. O modelo ao neto criança era menor e com só 50 cilindradas de potência. "O pai de Rubinho não estava certo na vocação do filho e fazia restrições. Limitava-se a deixar que o filho passasse tardes inteiras fazer o 'passarinho' decolar, demonstrando desde cedo que era muito rápido", contou a publicação.
Vítima de um grave acidente nos treinos do GP de San Marino em abril de 1994, dois dias antes da morte de Senna, o então campeão da F-3 confirmou o receio do pai: "(Ele) achava que era cedo demais para começar a correr e tinha medo de que algum acidente acontecer pela falta de experiência".
Já aos 8 anos, o avô o inscreveu em sua primeira corrida de kart e sem que o pai de Rubinho soubesse. A estreia ocorreu em 17 de maio de 1981. Dando um salto no tempo, em 1990, antes de completar 18 anos, o piloto ainda sem carteira de motorista utilizou a do pai para poder ingressar no Campeonato Europeu de Fórmula Opel.
Depois, a consagração viria na F-1, onde se tornou um dos grandes nomes do automobilismo nacional da era pós-Senna.