O jornalista Acir Filló é um dos destaques de “Tremembé”, série da Prime Video que retrata o dia a dia dos criminosos famosos na penitenciária homônima. Ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, na região leste da Grande São Paulo, ele foi condenado a quase 20 anos por corrupção.
Em entrevista à coluna True Crime, assinada por Ullisses Campbell no jornal O Globo, Acir deu uma declaração que movimentou as redes sociais: ele elogiou o talento de Marcos de Andrade, ator que o interpreta, mas destaca que ele é feio demais para o papel.
“Me emocionei ao ver o meu passado retratado na tela. O ator que me interpreta é muito talentoso. Mas ele é feio e eu sou um homem bonito. Queria que chamassem o Fabio Assunção, que é galã e tem a minha idade”, gabou-se.
Muita gente espera uma resposta de Marcos, no entanto, ele deve permanecer em silêncio. O ator está completamente afastado das redes sociais há dois anos. “Quando a criatura toma conta do criador. A fantasia que você criou tomou um espaço tão grande na sua vida que você começa a acreditar nela. Eu acho isso muito prejudicial”, justificou o artista em entrevista à revista Contigo.
Acir transformou sua experiência de dois anos e quatro meses em Tremembé no livro “Diário de Tremembé – O Presídio dos Famosos”. Na cadeia, ele fornecia aos colegas detentos o que chamou de media training.
“Criei estratégias, treinei presos famosos para audiências com a Justiça, ensaiei respostas para eles darem nos exames criminológicos e em entrevistas para a TV. Fiz um verdadeiro media training com os presos famosos”, contou.
Entre eles, estava Alexandre Nardoni, condenado pelo assassinato da própria filha, Isabella, em 2008. Acir classificou como um dos treinamentos mais difíceis. “Quando completaram-se 10 anos da morte da Isabela, ele me procurou pedindo material. Levei reportagens, revistas. Quando viu a foto da filha sorrindo, ficou emocionado. Ali percebi um homem destroçado. Isso não ameniza culpa nenhuma, mas ele sofria. A partir dali começamos a conversar. Ficamos íntimos”, relembra.
Acir avalia que há falhas na investigação do caso. “Ele é 80% culpado. Tenho 20% de dúvida pelas falhas da investigação. O Brasil é amador em investigação criminal. A polícia corre na velocidade da imprensa e acaba cometendo erros. No meu entendimento, Gil Rugai [condenado por matar o pai e a madrasta] é 100% inocente.”
player2