Fala-se muito sobre técnicas para aumentar a produtividade e truques para reduzir a lista de tarefas pendentes, como a já famosa "regra dos dois minutos". No entanto, pouco se comenta que o medo é um dos maiores obstáculos quando o assunto é ser realmente eficiente.
Um exemplo é o medo de não sermos boas o suficiente no trabalho, que pode levar à chamada dismorfia da produtividade.
Já o medo de cometer erros no ambiente profissional pode provocar algo semelhante, pois reúne tanto o receio do julgamento social quanto a sensação de não ser suficiente.
O medo irracional de cometer erros pode levar ao receio constante de perder o emprego ou comprometer a própria carreira. Em muitos casos, isso alimenta um perfeccionismo pouco saudável, que prejudica a autoestima, reduz a produtividade e interfere no bem-estar.
Embora errar faça parte da condição humana e seja uma das formas mais eficazes de aprendizado, nem sempre é fácil superar esse medo paralisante, capaz de impedir que profissionais experimentem coisas novas ou assumam desafios e riscos no trabalho.
A psicóloga Carol Dweck afirmou, no programa Aprendemos Juntos 2030: "Não tenha medo de errar; nunca é tarde para aprender."
Ainda assim, para algumas pessoas, esse temor pode ser tão intenso que chega a caracterizar a atiquifobia, o medo do fracasso.
Os especialistas em psicologia da Therapyside explicam que a atiquifobia, ou medo do fracasso, "é uma condição psicológica que se manifesta como um medo intenso, irracional e persistente diante de situações que possam representar um fracasso para a pessoa".
Esse medo irracional pode provocar ansiedade intensa, autocrítica constante, baixa autoestima e até procrastinação. E sim, também reduz a produtividade.
Como explica a psicóloga Silvia Merino Vicente, o medo de errar tem raízes tanto evolutivas quanto psicológicas. Do ponto de vista evolutivo, ele se desenvolveu como um mecanismo de defesa contra possíveis ameaças ou consequências negativas.
Já no aspecto psicológico, "o medo de cometer erros pode estar relacionado ao temor do julgamento social, ao perfeccionismo e à autoexigência". Esse perfeccionismo afeta a saúde mental e aumenta o risco de desenvolver burnout, insatisfação no trabalho e depressão.
Aprender a lidar com os erros no trabalho é fundamental para evitar que esse medo impeça você de assumir riscos ou enfrentar novos desafios.
O primeiro passo é entender que errar é algo normal e que, na maioria das vezes, esses erros não são tão graves quanto imaginávamos inicialmente. Assumi-los e nos responsabilizarmos por eles é essencial para corrigi-los e aprender com a experiência. E, caso você esteja se perguntando: errar não faz você parecer menos inteligente.
Basta lembrar de Albert Einstein, que dizia: "Uma pessoa que nunca cometeu um erro nunca tentou nada novo."
Perder o medo de errar não é um trabalho de um único dia. É um processo lento e, em alguns casos, pode ser necessário recorrer à ajuda psicológica.
Ainda assim, existem algumas estratégias da psicologia positiva que podem ajudar, como criar um "diário de conquistas", usar afirmações positivas, manter um diário de gratidão ou praticar a visualização do sucesso — um exercício que pode aumentar sua confiança e sua capacidade de lidar com situações difíceis.
Também é importante estabelecer metas realistas e começar a desenvolver sua resiliência. Para isso, você pode experimentar o que é conhecido como "microcoragem", que consiste em fazer diariamente algo que a tire da zona de conforto.
"Pode ser dar sua opinião em uma reunião, experimentar um restaurante novo ou conversar com um desconhecido. Com o tempo, essas pequenas ações fortalecerão sua resiliência diante do medo do fracasso", explicam os especialistas da Therapyside.
Afinal, como afirmou o doutor Shahram Heshmat, coragem não significa ausência de medo, mas sim a capacidade de exercer controle sobre a própria vida, permitindo superar limitações pessoais como o medo.
Se você cometeu um erro, respire. Esse é o primeiro e mais importante passo. Respirar ajuda a impedir que todas aquelas emoções desagradáveis que surgem — vergonha, desconforto, frustração e ansiedade — assumam o controle da situação.
Reserve um minuto para identificar o que está sentindo. Assumir os próprios erros não é fácil, mas aprender a reconhecê-los é indispensável, não apenas para crescer, como também para manter um bom relacionamento no ambiente de trabalho.
A psicóloga e psicoterapeuta Clara Delgado explica que "não importa quanta experiência tenhamos, sempre existirá uma margem de erro que não poderemos controlar". Em outras palavras, precisamos entender que a perfeição não existe.
Quando admitimos que erramos, mostramos nossa vulnerabilidade, mas também demonstramos força mental suficiente para analisar nosso próprio trabalho com objetividade.
Reconhecer o erro e pensar em soluções para corrigi-lo ou evitar que ele volte a acontecer é o passo seguinte. Também é importante ser gentil consigo mesma.
Cometer um erro pode ser emocionalmente difícil, por isso vale a pena exercitar a autocompaixão e manter um diálogo interno que se afaste da crítica excessiva, permitindo colocar a situação em perspectiva.
Muitas vezes, ao errarmos, caímos em padrões de pensamento negativos que dificultam enxergar os fatos com clareza e analisar a situação de forma objetiva.
E lembre-se: nem seus fracassos nem seus erros definem quem você é. Eles são apenas uma parte da vida com a qual todos nós precisamos aprender a conviver.