Foi no domingo seguinte ao Carnaval de 1988 que Silvio Santos (1930-2024) retornava à televisão após quatro semanas sem apresentar seu tradicional programa dominical no SBT. Na ocasião, um problema na cordas vocais atingiu o apresentador, morto aos 93 anos em agosto de 2024 após quase três semanas de internação.
Ao vivo e por cerca de 3 horas seguidas, no "Show de Calouros", o fundador do SBT respondeu a uma série de perguntas dos seus jurados, da plateia, de convidados e de telespectadores. Àquela altura, há pouco menos de 15 dias Silvio havia convencido Gugu Liberato (1959-2019) a desistir de um contrato com a Globo para retornar à emissora paulista, abrindo espaço para uma reviravolta na vida de outro apresentador.
O pai de Patricia Abravanel recordou a morte da primeira mulher, Cidinha, nos anos 1970, citou rumores de que estaria com Aids, e lembrou a origem do seu nome de batismo (Senor). Mas fez promessas que não conseguiria levar adiante nos anos seguintes.
Na conversa com uma fã, o marido de Iris Abravanel afirmou que entregaria seu horário no SBT a Gugu Liberato pouco a pouco até praticamente se afastar da TV. "Eu vou fazer 58 anos em dezembro. Nessa temporada, eu vou fazer cinco horas (de programa) e o Gugu, quatro. Na temporada de 89, faço 59 anos, eu faço três horas, e o Gugu, seis. Na temporada de 90, faço 60 anos, faço uma hora, 1h30 do Baú e o Gugu faz o restante", planejou.
"Em 1991, ao entrar nos 61 (anos), vou fazer 'Miss Brasil', 'Troféu Imprensa' e mais alguns shows para satisfazer a minha vaidade de homem de televisão. Paro. Não quero mais", completou. Como se sabe, só em 2020, com a pandemia de Covid é que Silvio se afastou do vídeo, retornando tempos depois, inclusive de pijama, até o afastamento definitivo em 2022.
Por telefone, Carlos Alberto de Nóbrega quis saber como seria o futuro de Silvio após o apresentar deixar a TV. O pai de Rebeca Abravanel mostrou total aversão à política. "Deus queira que eu não entre na política e comece a fazer comício e a subir em palanque", cravou.
"Se entrar em mim o demônio da política, vou ter condições de exorcizá-lo", disparou. Ao longo da vida, Silvio se filiou a um partido político, trocou de legenda, cogitou ser prefeito de São Paulo (uma delas nos anos 1990), e em 1989 apareceu no horário eleitoral gratuito como candidato a Presidente, porém sua candidatura ao cargo máximo do Executivo durou poucos dias.
Em outro momento, Silvio condenou o jornalismo investigativo. "No SBT, jornalista que quiser trabalhar comigo não vai ser investigador, detetive. Quem tem que investigar é a polícia", prometeu. "Jornalista tem que dar a notícia só. Mais nada. Se possível, elogiar o ser-humano para ele ser estimulado", completou.
No mesmo 1988, Bóris Casoy estreou como âncora-comentarista na emissora, que depois teria, entre outros, Carlos Nascimento na mesma função. Já nos anos 2000, Roberto Cabrini retornaria ao SBT com o programa "Conexão Repórter", que apresentou uma série de investigações.