A psicologia afirma: ‘Quem não gosta de abraços não é uma pessoa fria. Existe uma explicação por trás desse comportamento’
Publicado em 17 de julho de 2026 às 15:13
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
O que vivemos na infância influencia nossos relacionamentos muito mais do que imaginamos
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Dizem que existem abraços capazes de renovar a alma. Mas nem todo mundo sente prazer nesse gesto. Para algumas pessoas, abraçar pode ser algo desconfortável — e a psicologia tem explicações para isso.

O que a infância tem a ver com isso?

Além das diferenças culturais relacionadas ao hábito de abraçar, "nossa tendência a buscar ou evitar o contato físico costuma ser resultado das experiências vividas na primeira infância", afirma Suzanne Degges-White em um artigo publicado pela Psychology Today.

Essa explicação está ligada à teoria do apego, segundo a qual a forma como nos relacionamos com outras pessoas na vida adulta está diretamente associada às relações que construímos durante a infância.

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Crescer em uma família que demonstrava pouco afeto por meio do contato físico pode fazer com que uma pessoa se sinta desconfortável ao abraçar na vida adulta. 

Há, inclusive, estudos que indicam que pessoas criadas por pais que se abraçavam com frequência têm maior probabilidade de manter esse hábito quando adultas.

Isso, porém, não significa que o contrário não possa acontecer. Como explica Degges-White, "algumas crianças crescem sentindo falta de contato físico e acabam se tornando adultos que abraçam com facilidade, incapazes de cumprimentar um amigo sem um abraço".

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Como a falta de contato físico afeta o cérebro

Abraçar é um elemento importante para o desenvolvimento emocional de uma criança. Tanto que a ausência de contato físico pode provocar efeitos fisiológicos no organismo.

Segundo pesquisas de Darcia Narvaez, professora de Psicologia da Universidade de Notre Dame, a falta de contato físico pode comprometer o desenvolvimento do nervo vago, o que, de acordo com os estudos, pode reduzir a capacidade de uma pessoa de sentir compaixão.

Além disso, a carência de contato físico também pode prejudicar o desenvolvimento do sistema responsável pela produção e regulação da oxitocina, hormônio essencial para a criação de vínculos afetivos. 

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Quando há deficiência dessa substância, interpretar sinais sociais pode se tornar mais difícil, e um abraço passa a ser vivido como uma situação desconfortável.

Em outras palavras, o corpo pode ter sido "programado" para perceber os abraços como algo incômodo justamente por causa da baixa exposição à oxitocina durante a infância.

A autoestima também pode influenciar

Outro motivo para uma pessoa não gostar de dar — ou receber — abraços pode estar relacionado à autoestima.

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Segundo Degges-White, pessoas mais abertas ao contato físico "costumam ter mais autoconfiança", enquanto aquelas que sofrem com maior ansiedade social "podem se mostrar resistentes às demonstrações de afeto, inclusive entre amigos". 

Não porque não gostem dessas pessoas, mas porque esse tipo de contato pode ser emocionalmente difícil para elas.

Como se vê, um abraço não desperta as mesmas sensações em todo mundo. O que, para algumas pessoas, representa um momento de intimidade e conexão, para outras pode ser extremamente desconfortável, simplesmente porque não estão acostumadas a esse tipo de demonstração de afeto.

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