O que acontece quando uma trama mistura elementos de época, eventos sobrenaturais, fantasmas, mundo dos mortos e um leve clima de horror? Lendo estas palavras, poderíamos achar que seria o mais sombrio possível, mas o novo k-drama da Netflix, 'A Leste do Palácio', chegou para mostrar que pode existir um equilíbrio interessante entre tudo isso.
Lançado oficialmente nesta sexta-feira, dia 17 de julho, 'A Leste do Palácio' é uma das séries mais instigantes e ambiciosas do ano na Netflix. Com um elenco de peso e uma trama que foge dos tradicionais clichês sul-coreanos, essa trama nos faz pensar que a Coreia do Sul está mais próxima do que parece de encontrar a sucessora natural de 'Round 6'.
Será que 'A Leste do Palácio' emociona mesmo? Nós do Purepeople já assistimos ao novo k-drama da Netflix e, abaixo, te contamos o que esperar desta trama por meio de 5 acertos e 2 pequenos erros. Sem grandes spoilers, mas com uma pitada de opinião crítica.
'A Leste do Palácio' vai muito além do que costumamos presenciar em um k-drama de época. Nos últimos dias, comentamos que a série é um mix de 'Kingdom' e 'Alquimia das Almas', mas nenhuma comparação seria justa com a nova trama da Netflix.
Na trama, o rei Yi Yeon, aterrorizado com mortes dentro do palácio, sobretudo de seus herdeiros, vai atrás de Gu-cheon, um jovem amaldiçoado, filho de uma xamã, que consegue ver fantasmas e se transportar para seus mundos para enfrentá-los. Usando e abusando de sua autoridade, o rei exige que o rapaz se livre dos demônios que o assombram, sob a ameaça de matá-lo.
É aí que Saeng-gang entra na trama: filha do Rei, mas em posição de dama de honra, a jovem passa a acompanhar o 'caçador de fantasmas' em suas tentativas de acabar com as assombrações. Também médium, ela consegue ouvir fantasmas e se torna peça-chave na resolução dos problemas da trama - ou pelo menos na tentativa deles.
Um ponto para a originalidade do roteiro de 'A Leste do Palácio'. Sem esbarrar nas tradicionais tramas palacianas de identidade falsa ou viagem no tempo, o k-drama prova que não há limites para a criatividade de um bom roteiro, desde que seja bem executado.
Sim, tudo o que sai do convencional acaba dando aquele frio na barriga. E se acharem estranho demais? E se extrapolar os limites do bizarro? Já vimos muitos k-dramas com roteiros inimagináveis, e 'A Leste do Palácio', mesmo que envolva demônios e intrigas palacianas, consegue encontrar bem o seu tom.
Desde a marra do rei Yi Yeon até os trabalhos de altos e baixos de Gu-cheon e Saeng-gang, 'A Leste do Palácio' não é intenso demais a ponto de nos fazer tremer de medo, e nem de menos a ponto de rirmos da cara dos demônios. Ele tem a medida certa entre emoção e impacto, e isso é mais um dos pontos altos.
O diretor Choi Jung-kyu e os roteiristas, Kwon So-ra e Seo Jae-won, que assinam os principais créditos de bastidores, conseguiram fazer uma trama baseada no folclore coreano, com uma boa profundidade e aquele toque de qualidade técnica que deixou tudo bem amarrado.
© Divulgação, Netflix
Sempre que acompanhamos uma nova história, buscamos comprovar se o elenco entrega o que promete ou se fica pelo meio do caminho. Confesso que, antes do lançamento, eu ainda tinha minhas dúvidas se os jovens talentos teriam a capacidade de transmitir tamanha profundidade, mas o resultado foi uma grata surpresa.
Estrelando 'A Leste do Palácio', sua primeira série após o serviço militar obrigatório coreano, Nam Joo-hyuk prova ter amadurecido muito. Estrela de 'Vinte e Cinco, Vinte e Um' e 'Apostando Alto', ele é um jovem médium tão talentoso quanto preguiçoso, e sabe muito bem entregar o suspense que o k-drama tanto pede.
Roh Yoon-seo é outro exemplo de que uma atriz de k-dramas românticos também pode ser uma estrela do horror. Já vista em 'Amor e Outros Dramas' e 'Intensivão de Amor', na maioria das vezes no papel de mocinha, ela tem porte, presença e o impacto necessário para viver uma bela dama da corte, ainda que com suas nuances e momentos sensíveis.
Nem precisamos comentar sobre Cho Seung-woo, que vive o imponente rei Yi Yeon. Com a experiência de dramas mais, incluindo 'Stranger' e 'O Mito de Sísifo', o galã tem um currículo para ninguém colocar defeito, e 'A Leste do Palácio' é a comprovação de que seu trabalho é sempre um ponto fora da curva.
Desde que 'Round 6' explodiu, a Coreia do Sul passou a ser vista com outros olhos, tanto por suas tramas quanto pelos efeitos especiais. Esse é um dos triunfos de 'A Leste do Palácio', que vai além do CGI malfeito que temos visto em grandes produções pelo mundo.
Para criar as criaturas sobrenaturais, efeitos com espada e os demônios do mundo dos mortos, a Netflix contou com tecnologias de primeira linha que impressionam até mesmo o menos entusiasta dos fãs de k-dramas. Quem acompanha filmes de Hollywood há de concordar que não é possível colocar defeitos neste quesito.
© Divulgação, Netflix
Seria injusto dizer que 'A Leste do Palácio' é uma série perfeita, mas precisamos concordar não fica muito longe da perfeição. Ainda assim, alguns diálogos acabam se arrastando com excesso de explicações, o que acaba sendo compreensível, já que não é nenhuma série rasa, e a direção se esforça para não deixar pontas soltas.
A construção do protagonista Gu-cheon também acaba dividindo achismos. Quem vê o personagem nas fotos promocionais ou no trailer pensa que o bonitão será um salvador impecável, mas não é bem isso que nos mostra ao longo dos episódios. Ele não é um completo banana, mas também não é tão impecável assim... tem erros, falhas e momentos que deixam a desejar.
No fim, ambos os pequenos deslizes acabam sendo imprescindíveis para uma boa construção de roteiro e tornam 'A Leste do Palácio' tão atraente. E sim, essa maratona vale muito a pena.