A psicologia diz que as pessoas nascidas nas décadas de 90 e 2000 desenvolveram autonomia emocional, tolerância à incerteza e autocontrole
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 17:07
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Geração dos anos 90 e 2000 desenvolveu mais autonomia emocional ao crescer na transição do mundo analógico para o digital
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Quem nasceu nos anos 1990 e no início dos anos 2000 viveu uma infância e adolescência marcadas por transformações que mudaram a maneira de estudar, trabalhar, se relacionar e até construir a própria identidade. Segundo informações publicadas pelo jornal argentino Clarín, esse contexto teria contribuído para o desenvolvimento de características como autonomia emocional, tolerância à incerteza e autocontrole.

A explicação está relacionada a uma fase específica da vida chamada pela psicologia de adultez emergente, período que vai dos 18 aos 29 anos e é marcado pela exploração da identidade e pela conquista gradual de independência. O Clarín ressalta, porém, que essas características não se aplicam necessariamente da mesma maneira a todas as pessoas.

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O que mudou para quem cresceu nos anos 90 e 2000?

Essa geração acompanhou de perto a passagem de um mundo predominantemente analógico para outro cada vez mais digital. Internet, telefones celulares e redes sociais surgiram ou ganharam espaço justamente enquanto essas pessoas estavam formando sua identidade.

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De acordo com a Associação Americana de Psicologia, a adultez emergente envolve o desenvolvimento progressivo de capacidades como regulação emocional, tolerância à incerteza e autocontrole. Nesse período, o jovem também passa por experiências que exigem escolhas próprias e começa a construir uma vida menos dependente das decisões tomadas pela família.

A tecnologia, nesse cenário, aparece como um símbolo de novas formas de autonomia. Afinal, quem cresceu nessa transição precisou aprender a lidar com ferramentas e ambientes que não faziam parte da infância das gerações anteriores.

Redes sociais também mudaram a construção da identidade

Outro ponto destacado pelo Clarín é o papel das redes sociais. Essas plataformas abriram novos espaços para que os jovens explorassem gostos, opiniões, relacionamentos e maneiras de se apresentar aos outros.

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Esse processo também passou a participar da construção da identidade e da autonomia. Em vez de a formação da personalidade acontecer apenas nos ambientes tradicionais, como família, escola e círculos presenciais, novos espaços digitais passaram a fazer parte dessa experiência.

O jornal argentino também cita um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology, que analisou 1.148 jovens entre 16 e 21 anos da Espanha e da Colômbia. A pesquisa encontrou uma associação entre níveis mais altos de autonomia e maior bem-estar psicológico durante a transição para a vida adulta.

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Por que lidar com a incerteza virou parte dessa experiência?

A chamada adultez emergente é descrita como um período de exploração. Nessa fase, questões importantes ainda podem não estar definidas, como qual profissão seguir, com quem se relacionar ou onde morar.

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Segundo as informações reunidas pelo Clarín, essa falta de definições pode favorecer o desenvolvimento de recursos pessoais para lidar com a incerteza. Em outras palavras, aprender a conviver com decisões em aberto também pode fazer parte do processo de amadurecimento.

Essa realidade também ajudou a modificar antigos modelos sobre o que significava se tornar adulto. Casamento, filhos e compra de uma casa deixaram de ser necessariamente etapas que precisavam acontecer rapidamente. A exploração pessoal passou a ocupar um espaço maior nessa trajetória.

Autonomia emocional é diferente de independência financeira

Um detalhe importante destacado pelos especialistas é que autonomia não significa necessariamente independência econômica.

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Muitos jovens continuam dependendo da família para moradia ou apoio financeiro, mas isso não significa automaticamente que não tenham desenvolvido autonomia emocional. De acordo com a explicação apresentada pelo Clarín, independência econômica e independência emocional são dimensões diferentes.

Assim, uma pessoa pode ainda receber suporte financeiro dos pais e, ao mesmo tempo, desenvolver capacidade para tomar decisões, administrar emoções e lidar com situações incertas.

No fim, quem nasceu entre os anos 1990 e 2000 teve contato, desde cedo, com ferramentas e mudanças que não estavam disponíveis para gerações anteriores na mesma idade. Segundo o Clarín, esse cenário criou um ponto de partida diferente, embora a maneira como cada pessoa desenvolveu e utilizou esses recursos dependa da própria história.

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