Não é exagero quando digo que acabei de assistir ao melhor dorama da minha vida e estou em prantos. Sou apaixonado por séries coreanas e já assisti muitas delas, mas minha última maratona foi com 'Meu Diário para a Liberdade' e estou há horas me perguntando o motivo de eu não ter dado uma chance a essa obra-prima antes.
Estrelada por Kim Ji-won, a série acompanha pessoas comuns, cansadas da rotina e sem saber muito bem o que fazer para mudar de vida. Ao longo dos episódios, porém, a série mostra que nem toda transformação precisa ser grandiosa e que, muitas vezes, são as pequenas mudanças que fazem alguém voltar a enxergar sentido na própria vida.
Apesar do ritmo lento, 'Meu Diário para a Liberdade' nos provoca reflexões sobre a vida, os sonhos e o quanto estamos acomodados no automático da rotina adulta.
'Meu Diário para a Liberdade' acompanha os irmãos Yeom, que vivem em uma região afastada de Seul e passam boa parte dos dias trabalhando na capital. Mi-jeong, Chang-hee e Ki-jeong têm personalidades diferentes, mas compartilham a mesma sensação de insatisfação.
Mi-jeong, interpretada por Kim Ji-won, é a mais reservada dos três. Ela trabalha em uma empresa em Seul, enfrenta longos deslocamentos todos os dias e parece viver no automático. Não chega a dizer que é infeliz, mas também não consegue encontrar motivos para se sentir feliz.
E é justamente essa sensação que faz dela uma protagonista tão fácil de compreender, uma vez que muitos de nós já experimentamos isso na própria vida. Conforme o dorama avança, entendemos que ela não quer uma vida perfeita, mas sim sentir que existe alguma coisa além daquela rotina repetitiva.
Kim Ji-won está muito diferente de outras protagonistas que já interpretou, incluindo a icônica protagonista de 'Rainha das Lágrimas'. Mi-jeong fala pouco, evita chamar atenção e guarda boa parte do que sente para si mesma, quase com uma personalidade apática, mas que traz muitos de nós em sua história.
A atriz consegue trabalhar muito bem com os silêncios da personagem e, em vez de explicar o que está acontecendo, o dorama deixa que o público perceba pelos olhares e pelas pequenas mudanças em seu comportamento. É uma atuação contida, mas muito expressiva.
Conforme a história avança, o misterioso Sr. Gu, interpretado por Son Suk-ku, começa a mostrar que é muito mais do que um bêbado faz-tudo. Ele é contratado pelos pais de Yeom Mi-jeong e trabalha em sua fazenda, mas, através de pequenas conversas e atitudes do dia a dia, planta a sementinha da revolução em cada um dos irmãos.
A relação com Mi-jeong, inclusive, começa de uma maneira bastante incomum: ela pede que ele a venere, e os dois começam a construir uma conexão baseada mais na compreensão do que no amor. No entanto, aos poucos essa relação vai se aprofundando e provocando mudanças em ambos.
E isso não muda só a protagonista como também seus irmãos.
Chang-hee, vivido por Lee Min-ki, está frustrado com a própria vida. Ele reclama do trabalho, do dinheiro, dos deslocamentos e sente que não consegue avançar. Já Ki-jeong, interpretada por Lee El, está cansada de esperar por um relacionamento e sente que está ficando para trás enquanto as pessoas ao seu redor seguem suas vidas.
É importante ressaltar que 'Meu Diário para a Liberdade' não apresenta uma fórmula para ser feliz. Na verdade, o dorama passa boa parte do tempo questionando a ideia de que precisamos encontrar alguma grande coisa para finalmente começarmos a viver.
Os personagens acreditam que precisam mudar de cidade, encontrar um amor, ganhar mais dinheiro ou descobrir um objetivo, porém, aos poucos, percebem que a mudança também pode começar em decisões pequenas do dia a dia.
É uma história sobre reconhecer aquilo que sentimos, aceitar que nem sempre sabemos para onde estamos indo e entender que a vida não precisa estar completamente resolvida para continuar. E talvez seja por isso que eu tenha terminado a série tão emocionado.
Depois de 16 episódios, você não sente que está mais acompanhando apenas personagens fictícios, mas também começa a reconhecer algumas das inseguranças, frustrações e pequenas esperanças deles em situações da própria vida.
No fim, a principal reflexão é que talvez a gente só precise começar a perceber as pequenas mudanças enquanto elas ainda estão acontecendo.