Quando falamos de felicidade ou bem-estar emocional, não estamos falando de algo mágico, mas sim de algo intimamente ligado ao funcionamento do cérebro. Sabemos que o cérebro possui "zonas de felicidade": áreas que são ativadas e, curiosamente, estão associadas à resiliência e à regulação emocional.
Em outras palavras, simplificando, podemos dizer que a inteligência emocional está intimamente relacionada à felicidade. É por isso que desenvolver a inteligência emocional de uma criança contribui para a sua felicidade futura.
Reem Rouda, especialista certificada em parentalidade consciente, estudou mais de 200 crianças e sabe que existem certas coisas que os pais podem fazer para ajudar seus filhos a crescerem mais felizes do que outras. A verdade é que elas não são tão complicadas de implementar, embora algumas possam parecer contra-intuitivas, como a primeira: não fuja do tédio.
O tédio adquiriu uma conotação totalmente negativa. Fugimos dele e, quando nossos filhos dizem que estão entediados, fazemos de tudo para livrá-los dessa emoção. Mas o tédio é mais poderoso do que você imagina. De acordo com a neurociência, o tédio aumenta nossa criatividade, mas também melhora a autorregulação e as habilidades de resolução de problemas, como explicou Rouda na CNBC, e tudo isso está ligado a um maior bem-estar.
As crianças aprendem por imitação e copiam muitos dos comportamentos dos pais. Se os pais forem emocionalmente inteligentes, é muito provável que os filhos também o sejam. Não adianta dizer aos nossos filhos para pedirem desculpas quando magoam alguém se eles nunca ouviram um "me desculpe" nosso, nem mesmo para eles próprios.
Segundo Rouda, quando pedimos desculpas, tanto às crianças quanto a outras pessoas, ensinamos que os erros fazem parte da vida e que "assumir a responsabilidade é uma virtude". Esse gesto simples constrói confiança e demonstra respeito. Faz com que as crianças se sintam valorizadas quando o pedido de desculpas é direcionado a elas e, sem percebermos, ensinamos-lhes empatia e a importância de reparar erros nos relacionamentos.
Nesse mesmo ponto, a especialista alerta que é inútil forçar uma criança a dizer "por favor", "obrigado" ou "desculpe", porque, como ela afirma, "gentileza e respeito não podem ser forçados". Mas o que podemos fazer é dar o exemplo. "Se seu filho se esquecer de dizer obrigado, diga por ele, e tenho certeza de que a lição ficará gravada na memória", afirma.
Para alcançar esse objetivo, o primeiro passo é, mais uma vez, dar o exemplo e expressar verbalmente os sentimentos. Por exemplo, em casa, diga quando estiver feliz, quando estiver cansado, quando algo estiver incomodando. Como adultos, devemos ser capazes de nomear as emoções na frente das crianças, pois, ao fazê-lo, ensinamos a elas a reconhecerem suas emoções e lhes damos palavras para expressá-las, evitando que vejam certas emoções consideradas negativas como algo a ser reprimido.
Além de nomear as emoções, é importante validarmos os sentimentos dos nossos filhos, por menores que pareçam. As preocupações deles podem parecer triviais para nós, adultos, mas são importantes para eles. "Ao validarmos os sentimentos deles, ensinamos que as emoções importam", diz Rouda, que acrescenta que, ao fazermos isso, estamos "cultivando a autoestima, a segurança emocional e o respeito pelas próprias experiências". Se isso não é semear a felicidade, não sei o que é.
Este último ponto pode ser incrivelmente difícil de assimilar, mas se quisermos fomentar a resiliência em nossos filhos, não podemos resolver todos os problemas que eles enfrentam. Crianças resilientes demonstram a confiança necessária para se recuperarem do fracasso e também desenvolvem a automotivação para continuarem a assumir os riscos necessários.
Por outro lado, se você resolve os problemas deles e "se esforça demais por seus filhos, você está aumentando sua própria autoestima às custas da deles", explicou o Dr. Daniel Amen em seu livro "Como Criar Filhos Mentalmente Fortes".
Para Rouda, a melhor maneira de aprender a tomar decisões é "incentivar as crianças a tomá-las por si mesmas". Para isso, podemos simplesmente perguntar a elas o que acham que deveriam fazer para fortalecer seu pensamento crítico, confiança e independência.