A estreia de 'A Nobreza do Amor', exibida na noite desta segunda-feira, 16 de março, mostrou que a nova aposta das seis da Globo chega com ambição de sobra e com todos os elementos para se tornar uma obra marcante.
Escrita por Duca Rachid, Elísio Lopes Jr. e Júlio Fischer, a trama já dá sinais claros de que pretende trilhar um caminho épico, tanto na narrativa quanto na estética.
Um dos primeiros pontos que chamam atenção é a belíssima fotografia. Já antecipada nos clipes de divulgação, ela se confirma no capítulo de estreia com imagens amplas e bem trabalhadas do reino fictício de Batanga.
As tomadas abertas, que destacam dunas, campos e a imponência do reinado, criam um impacto visual imediato e pouco comum no horário das seis. Inclusive, a grandiosidade lembra produções clássicas como 'O Clone', exibida em 2002 e marcada por suas locações no Marrocos.
Outro destaque importante é a representatividade. Em diversos momentos, a tela é ocupada majoritariamente por atores negros, algo que, além de simbólico, reforça um movimento cada vez mais presente na teledramaturgia brasileira.
A diversidade, que vem sendo trabalhada com mais consistência pela Globo, aqui não aparece como detalhe, mas como parte central da narrativa.
O elenco também é um enorme trunfo. Nomes como Erika Januza, Duda Santos, Welket Bunguê e Lázaro Ramos dominaram o primeiro capítulo com carisma e presença.
Em especial, Lázaro já demonstra que seu vilão Jendal tem tudo para entrar na galeria de personagens marcantes. Mesmo com poucas falas no primeiro capítulo, o ator consegue transmitir muito apenas com o olhar.
A narrativa ágil também merece destaque. Logo no capítulo inicial, o público é conduzido por uma passagem de tempo significativa, avançando cerca de 20 anos já no segundo bloco, quando a protagonista Alika, vivida por Duda Santos, ganha protagonismo.
Além disso, o episódio entrega elementos clássicos de uma boa novela: conflitos, guerra, mortes e nascimento, ingredientes que ajudam a prender a atenção logo de cara.
Como todo início, há pequenos pontos que podem ser ajustados, e no folhetim que substitui 'Êta Mundo Melhor' tem apenas um. O didatismo acaba soando clichê em algumas cenas que reforçam a importância de o reinado cuidar de seu povo.
Frases como 'precisamos cuidar do nosso povo', repetidas mais de uma vez, passam uma sensação de discurso genérico. Embora esse seja, de fato, o objetivo do rei Cayman em Batanga, o diálogo de Alika com o pai poderia ter mais força dramática e personalidade. Ainda assim, trata-se de um detalhe pontual, que pode ser facilmente lapidado ao longo dos próximos capítulos.
No geral, 'A Nobreza do Amor' estreia com força, identidade e uma proposta ousada. Esperamos que a audiência não esperada, de 17 pontos, seja só um estranhamento do público com a saída de Candinho (Sergio Guizé) de cena.