Por que o diagnóstico de autismo nas mulheres demora muito mais tempo para ser feito (e, às vezes, nunca chega a ser feito)
Publicado em 21 de julho de 2026 às 17:42
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
O mascaramento dos sintomas pode fazer com que o transtorno seja confundido com outras condições
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Os transtornos do espectro autista (TEA) são muito mais abrangentes do que costumamos imaginar. Em geral, os primeiros sinais começam a aparecer nos três primeiros anos de vida, mas, em alguns casos, o diagnóstico pode demorar mais, já que certas características são difíceis de identificar.

Isso parece ser especialmente verdadeiro no caso das meninas com autismo. 

Além de o TEA ser mais frequente em meninos do que em meninas — segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a condição é cerca de quatro vezes mais comum entre eles —, nas meninas os sintomas tendem a passar ainda mais despercebidos.

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O mascaramento dos sintomas nas mulheres

Na prática, isso faz com que o TEA leve muito mais tempo para ser diagnosticado em mulheres. Muitas só recebem o diagnóstico na vida adulta e, em alguns casos, ele simplesmente nunca acontece. 

Uma das explicações para esse cenário é que, quando o autismo não está associado a deficiência intelectual, os sintomas nas meninas podem se manifestar de forma mais sutil.

Isso ocorre, entre outros fatores, porque as meninas podem apresentar maior capacidade simbólica, menos problemas de memória e menos dificuldades cognitivas, de linguagem ou de motivação. Além disso, costumam ter mais facilidade para estabelecer amizades. 

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Como consequência, os sintomas que aparecem podem ser confundidos com os de outros transtornos.

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Comparação com os sintomas observados em meninos

Essa diferença faz com que outros sinais do autismo acabem sendo mascarados. 

Um dos motivos é que o principal parâmetro utilizado para compreender os transtornos do espectro autista ainda é o perfil apresentado pelos meninos. 

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Em outras palavras, os instrumentos de rastreamento e diagnóstico atualmente validados pela ciência foram desenvolvidos com base na sintomatologia masculina — afinal, os meninos são os mais frequentemente diagnosticados com TEA — e, por isso, são menos sensíveis às particularidades com que o transtorno se manifesta nas meninas.

No entanto, identificar o autismo o mais cedo possível é fundamental, já que o diagnóstico precoce pode contribuir significativamente para o desenvolvimento da criança ao longo da vida. 

Por isso, segundo especialistas, um dos principais desafios da ciência nessa área é aprofundar as pesquisas sobre as características específicas do autismo em meninas e desenvolver ferramentas diagnósticas mais adequadas para essa população.

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