Você tem o costume de entrar no elevador, encontrar outra pessoa, olhar nos olhos dela e diz 'bom dia', 'boa tarde' ou simplesmente 'olá'?
Segundo o psicólogo Miguel Ángel Rizaldos, cumprimentar espontaneamente em situações do dia a dia pode estar relacionado a maior abertura social e menor sensação de ameaça em ambientes cotidianos.
“Dizer olá é um ato simples que diz: ‘Você existe, eu te reconheço, não há perigo’. Isso demonstra que a pessoa não está na defensiva”, explica o especialista.
Isso, porém, não significa que toda pessoa que cumprimenta os outros seja extrovertida. Pessoas mais reservadas ou introvertidas também podem ter o hábito de dizer olá regularmente.
Embora cada indivíduo tenha uma personalidade diferente, Rizaldos aponta três características que podem aparecer com frequência em quem pratica esse tipo de gesto.
A primeira é a gentileza. Cumprimentar alguém exige prestar atenção à presença daquela pessoa e ao clima da interação, mesmo que o contato dure apenas alguns segundos. É uma maneira simples de reconhecer o outro e tornar aquele encontro um pouco mais agradável.
O segundo fator é um senso básico de segurança. Essas pessoas tendem a não interpretar um contato rápido com um desconhecido como algo necessariamente desconfortável ou ameaçador. Um “bom dia” no elevador não representa uma invasão de seu espaço pessoal, mas uma interação comum da vida cotidiana.
A terceira característica está relacionada à pró-socialidade, ou seja, à tendência de realizar pequenos comportamentos que favorecem a conexão e o bem-estar das outras pessoas.
De acordo com Rizaldos, esse comportamento também tem relação com uma característica fundamental dos seres humanos: somos seres sociais.
“Esses microssegundos de conexão reduzem a sensação de isolamento. Cumprimentar alguém não é apenas uma questão de educação; também nos lembra que não estamos sozinhos”, destaca o psicólogo.
Por outro lado, não cumprimentar alguém não significa necessariamente que a pessoa seja antipática, fria ou antissocial. Existem várias explicações possíveis para esse comportamento.
Timidez, introversão, insegurança ou simplesmente hábito podem influenciar a maneira como alguém reage diante de desconhecidos. Muitos comportamentos sociais também são aprendidos por observação e acabam sendo incorporados à rotina sem que a pessoa sequer perceba.
A experiência de entrar em um elevador em uma cidade pequena pode ser completamente diferente daquela vivida em um prédio movimentado de uma grande metrópole.
Em algumas comunidades, cumprimentar desconhecidos faz parte da norma social. Em outras, manter certa distância e evitar contato com quem não se conhece é considerado mais natural.
Por isso, não existe uma regra segundo a qual quem cumprimenta é necessariamente mais educado, seguro ou sociável, enquanto quem permanece em silêncio teria algum problema de comportamento.
Ainda assim, o pequeno gesto pode ser uma maneira simples de tornar as relações cotidianas um pouco mais humanas. Um olhar, um sorriso ou um 'bom dia' não exige grande esforço e pode transmitir ao outro uma mensagem bastante básica: “Eu vi você”.