Enquanto a Copa do Mundo de 2026 movimenta os holofotes em torno da Seleção Brasileira, Neymar Jr. ganhou um motivo ainda mais especial para comemorar longe dos gramados. Nesta segunda-feira (15), Bruna Biancardi anunciou que está grávida novamente do jogador. O casal espera mais uma menina, ampliando a família em um momento de grande visibilidade para o atleta.
A novidade rapidamente chamou atenção dos fãs, mas também reacendeu uma dúvida bastante comum entre mulheres que já passaram por cesarianas: afinal, após duas cirurgias, ainda é possível ter um parto normal? E existe um limite seguro para a realização de novas cesáreas ao longo da vida?
De acordo com a obstetra Dra. Lívia Del Monaco, especialista em Medicina Fetal e Gestação de Alto Risco, a resposta não é igual para todas as mulheres. A médica explicou que a decisão depende de uma análise detalhada do histórico obstétrico e das condições da gestação atual.
"Em alguns casos, o parto normal após duas cesáreas pode, sim, ser considerado. Mas essa decisão depende de uma avaliação muito criteriosa da história obstétrica da paciente, do tipo de incisão uterina realizada anteriormente, do intervalo entre as gestações e das condições clínicas atuais da mãe e do bebê", afirmou a especialista.
Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Paulo Noronha, de São Paulo, existe uma alternativa conhecida como VBAC, sigla em inglês para parto vaginal após cesárea. O procedimento pode ser seguro quando há indicação adequada e uma estrutura hospitalar preparada para eventuais emergências.
"Ter duas cesáreas anteriores não significa, obrigatoriamente, que o parto normal seja impossível. Mas também não significa que ele seja indicado para todas. A decisão precisa ser individualizada, baseada em critérios clínicos e em um ambiente hospitalar preparado para agir rapidamente se houver qualquer intercorrência", explicou o médico.
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Entre os fatores observados pelos especialistas estão o tipo de corte realizado no útero nas cirurgias anteriores, o intervalo entre uma gestação e outra, a posição da placenta, o peso estimado do bebê e a existência ou não de partos vaginais anteriores.
Para Dr. Paulo Noronha, um dos pontos que mais exige atenção é a chamada ruptura uterina.
"O principal risco discutido nesses casos é a ruptura uterina, que é rara, mas potencialmente grave. Por isso, qualquer tentativa de parto normal após cesárea deve acontecer com monitorização contínua e equipe preparada para uma cesárea de urgência, caso seja necessário", destacou.
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Já a Dra. Lívia Del Monaco reforçou que o acompanhamento pré-natal é essencial para determinar qual será a forma mais segura de nascimento.
"O mais importante é entender que não existe uma regra única. A obstetrícia moderna busca individualizar a assistência e respeitar o desejo da paciente, mas sempre equilibrando isso com segurança materna e fetal", afirmou.
A nova gravidez de Bruna Biancardi também trouxe à tona outra questão frequente nos consultórios: quantas cesáreas uma mulher pode fazer ao longo da vida? Os especialistas explicam que não existe um número máximo universalmente estabelecido. No entanto, os riscos aumentam progressivamente a cada nova cirurgia.
"A cada cesariana, cresce a possibilidade de aderências, sangramentos, lesões em órgãos próximos e alterações placentárias em futuras gestações", explicou Dra. Lívia Del Monaco.
O Dr. Paulo Noronha acrescenta que uma das complicações mais importantes associadas a múltiplas cesáreas é o chamado espectro da placenta acreta, condição em que a placenta se fixa de forma anormal ao útero.
"Uma terceira, quarta ou quinta cesárea não é igual à primeira. Os riscos aumentam progressivamente, especialmente relacionados à placenta e à complexidade cirúrgica", pontuou.
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Para os especialistas, discutir o desejo de ter mais filhos passou a ser uma etapa fundamental da relação entre médico e paciente. Isso porque a escolha da via de parto pode influenciar não apenas a gestação atual, mas também futuras gestações.
"Quando uma mulher deseja ter mais filhos, isso precisa entrar na conversa desde cedo. A escolha da via de parto não impacta apenas aquela gestação, mas também as futuras", ressaltou Dra. Lívia Del Monaco.
Em um país que continua registrando uma das maiores taxas de cesariana do mundo, os médicos reforçam que a decisão sobre o parto deve sempre considerar a segurança da mãe e do bebê, além da estrutura hospitalar disponível e do desejo informado da paciente.
"A melhor via de parto é aquela que oferece mais segurança para mãe e bebê dentro daquele contexto específico. Não existe resposta pronta ou fórmula universal", concluiu Dr. Paulo Noronha.