Juan Leal, especialista em cabelos: 'Os produtos que aplicamos no cabelo vão se acumulando na fibra e, com a exposição ao sol e a falta de cuidados, causam um dano que a agride gradualmente'
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 12:11
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
A lavagem do cabelo é um dos cuidados mais importantes para manter o couro cabeludo saudável
Veja + após o anúncio

Quando falamos sobre cuidar dos cabelos, quase sempre pensamos em manter uma boa hidratação ou não abusar das ferramentas de calor. E, embora esses cuidados sejam essenciais, muitas vezes nos esquecemos de que existem certos hábitos diários que vão deteriorando o cabelo sem que a gente perceba. 

Segundo explica o cabeleireiro Juan Leal, diretor de educação da Pierino Cosmetics: "Muitas pessoas se concentram nos danos visíveis, mas o problema está no que fazemos no dia a dia sem perceber. A fricção é um dos fatores mais agressivos para a fibra capilar e um dos mais ignorados".

Com certeza você já ouviu falar muitas vezes que não se deve esfregar o cabelo com a toalha, pois esse é justamente um dos piores hábitos cotidianos. 

Veja + após o anúncio

Mas não é o único: desembaraçar o cabelo sem cuidado, fazer penteados com muita tensão — como os famosos coques "clean look" — ou o simples atrito dos fios com os tecidos também "vão desgastando a cutícula, fazendo com que ela perca a capacidade de reter nutrientes e tornando o cabelo vulnerável à quebra", conta Leal.

Veja também
Daniel del Valle, cabeleireiro em Barcelona: 'A maneira correta de usar o secador de cabelo é aplicar o calor da raiz até as pontas, sempre na direção do chão'
Mesmo morto, o cabelo tem memória

O especialista faz questão de destacar esse aspecto tão pouco conhecido dos fios. Quando Juan fala em memória capilar, ele se refere ao fato de o cabelo ir acumulando danos físicos e químicos.

"O cabelo tem uma estrutura interna sustentada por pontes de hidrogênio e de enxofre. O calor excessivo e as ferramentas de modelagem, como a chapinha, vão alterando essas pontes com o tempo." Isso é o que se conhece como memória estrutural. Um exemplo claro disso são as mulheres de cabelo cacheado que, com o passar dos anos, percebem que seus cachos já não são os mesmos, ficando mais esticados.

Veja + após o anúncio

Por outro lado, existe a memória acumulativa. "Os produtos que aplicamos vão se depositando na fibra e, com o sol e a falta de cuidado, geram uma agressão que a danifica de forma gradual", indica o profissional. Em qualquer um dos casos, o cabelo vai sofrer as consequências e, com o tempo, terá uma aparência pior.

Como saber se o meu cabelo está envelhecido

O couro cabeludo tem grande importância na saúde e na qualidade do cabelo e, segundo o especialista, um couro cabeludo não saudável também pode ser um sinal de envelhecimento. "Você pode ter 20 anos e ter uma pele descuidada porque, por natureza, sua pele tem mais tendência a oxidar — que é o que faz as nossas células envelhecerem. 

Com o cabelo envelhecido isso não fica tão claro. Um sinal fundamental é um couro cabeludo não saudável: quando há um problema de dermatite seborreica, sensibilização ou alterações na camada córnea, isso vai fazer com que o cabelo fique mais fino, com mais elasticidade e mais frizz", explica Juan.

Veja + após o anúncio
Os nutrientes do cabelo são fundamentais

Conforme o cabelo envelhece, uma das primeiras coisas que se nota é a perda do brilho e um aspecto muito mais seco. Isso, além do uso de tinturas, ferramentas de calor ou exposição ao sol, deve-se muito à falta de nutrientes naturais.

Podemos dizer que os nutrientes para o cabelo são como a elastina e o colágeno para a pele. Por isso, para evitar o envelhecimento capilar, são fundamentais "os aminoácidos que formam a sua estrutura. Quando esses aminoácidos se unem em cadeias, formam peptídeos, polipeptídeos e proteínas", comenta o cabeleireiro.

Fornecer ao cabelo os nutrientes necessários fará uma grande diferença: "Os aminoácidos e as proteínas constroem a fibra capilar e beneficiam também a pele e o folículo, enquanto os lipídios atuam como um escudo: protegem o couro cabeludo dos efeitos ambientais e oxidativos e envolvem a fibra contra os danos externos. Juntos, os três sustentam a saúde do cabelo completo, que nasce da união entre folículo e fibra", explica o profissional.

Veja + após o anúncio

Nesse sentido, o conselho de Juan Leal é manter uma boa rotina capilar e cuidar do cabelo assim como cuidamos da pele — o conceito conhecido como skinificação do cabelo. "Sem proteína e aminoácidos suficientes, a fibra capilar não se forma bem porque falta queratina para selar a cutícula. 

E sem lipídios suficientes — algo que costuma ir de mãos dadas com uma microbiota desequilibrada e o excesso de fungos que a alteram —, o cabelo não produz a oleosidade necessária, nascendo mais frágil, com mais frizz e mais propenso à quebra."

O especialista recomenda o uso de um sérum que regule o microbioma do couro cabeludo. Por outro lado, aminoácidos e proteínas serão muito benéficos para nutrir o folículo. Outros produtos fundamentais são a máscara para repor lipídios, o condicionador e o protetor térmico.

Veja + após o anúncio
Lavar o cabelo sim, mas com que frequência?

Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre com que frequência deveriam lavar o cabelo. Sobre isso, existem diferentes opiniões, já que há especialistas como a farmacêutica Helena Rodero que aconselham lavar o cabelo com frequência: "O couro cabeludo é pele. Quantas vezes ao dia você lava o rosto? Duas vezes, não é? O mínimo seria lavar o couro cabeludo uma vez ao dia", indica a especialista.

Por outro lado, Leal traz outra perspectiva: "Mesmo que a gente faça atividades físicas todos os dias, o ideal é lavar o cabelo a cada 48 horas, pois esse é normalmente o tempo que a microbiota leva para se regenerar. Isso seria o ideal caso não haja nenhum problema capilar específico", responde o estilista.

Evidentemente, o cabeleireiro não aconselha passar três ou quatro dias sem lavar o cabelo, mas recomenda fazer isso com bom senso: "Lavar o cabelo diariamente com xampu convencional agride o couro cabeludo. A sensação de sujeira é, na verdade, suor e água, que já limpam e regulam a pele por si sós. O problema é que esse hábito acaba ativando ainda mais as glândulas sebáceas: por não considerarem suficiente a sua própria oleosidade, elas produzem mais. Portanto, lavar todos os dias acaba gerando mais oleosidade, e não menos."

Veja + após o anúncio

A rotina de lavagem recomendada por Juan é intercalar os dias (um dia sim, outro não). "Se precisarmos de um cuidado extra, os xampus a seco podem ajudar. O meu truque pessoal é aplicá-lo ao contrário do habitual: não sobre o cabelo sujo, mas logo após lavá-lo, com o cabelo ainda úmido, direto nas raízes. 

O amido fica depositado e, no dia seguinte, absorve a oleosidade à medida que ela é produzida. Assim, o efeito de limpo dura dois dias em vez de um, com uma aparência visualmente mais limpa do que se fosse aplicado no cabelo já sujo", aconselha.

Últimas Notícias
Últimas Notícias
Tendências
Todos os famosos
Top notícias da semana