Os psicólogos Julie e John têm 35 anos de casamento: tudo o que esse casal nunca faz para que o relacionamento continue dando certo
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 17:17
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Especialistas em relacionamentos, John e Julie Gottman explicam por que nunca discutem quando estão emocionalmente sobrecarregados — e como esse hábito ajuda a fortalecer o casamento
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John Gottman e Julie Schwartz Gottman estão casados há mais de 35 anos.

Esse dado, por si só, talvez não chamasse tanta atenção se não estivéssemos falando de dois psicólogos especializados em relacionamentos amorosos, que revelaram recentemente, em entrevista à CNBC, o segredo por trás do sucesso de seu casamento — algo que, nos dias de hoje, pode ser considerado uma verdadeira conquista.

E não é a primeira vez que ouvimos que o amor, sozinho, não é a chave para um relacionamento bem-sucedido, embora seja indispensável.

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Segundo a ciência, casais que permanecem juntos por mais tempo costumam compartilhar algumas características, como valores e crenças em comum. Mas há um fator que, para John e Julie, fez toda a diferença ao longo dos anos: a forma como lidam com as discussões.

Nunca discutir quando estamos emocionalmente sobrecarregados

Os próprios especialistas admitem que, como qualquer casal, também cometem erros. 

Nas palavras deles: "Nós discutimos, ficamos frustrados, gritamos um com o outro. Somos humanos. Mas há uma coisa que aprendemos a nunca fazer: brigar quando estamos emocionalmente sobrecarregados."

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Segundo eles, o segredo está justamente em controlar essa sobrecarga emocional. Como explicam, "a sobrecarga emocional acontece quando a pessoa se sente psicologicamente e fisicamente sobrecarregada", o que impede que a conversa seja realmente produtiva.

Os psicólogos afirmam que esse é, inclusive, um padrão comum entre casais infelizes, da mesma forma que a inflexibilidade está entre as principais razões pelas quais tantos relacionamentos fracassam.

Do ponto de vista psicológico, "cada pessoa tem um contador interno que mede quanta negatividade e medo consegue absorver em um determinado momento. Quando esse limite é ultrapassado, o sistema nervoso entra em sobrecarga e passamos para o modo de 'luta ou fuga'", o que, como explicam, dificulta uma comunicação saudável.

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Como saber se estamos emocionalmente sobrecarregados

Perceber que estamos vivendo um momento de sobrecarga emocional e comunicar isso ao parceiro para "adiar" a discussão é, segundo os especialistas, um sinal de responsabilidade afetiva. E identificar esse momento é mais simples do que parece.

Os próprios Gottman apontam alguns sinais físicos que ajudam a reconhecer esse estado, como o aumento da frequência cardíaca ou o ato de cerrar os punhos e a mandíbula durante uma discussão.

Além disso, quando estamos emocionalmente sobrecarregados, temos dificuldade para ouvir o que o parceiro está dizendo e para nos concentrar em qualquer coisa que não sejam os próprios pensamentos. Também sentimos vontade de gritar, ignorar a outra pessoa e até dizer algo negativo do qual podemos nos arrepender depois.

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Se deixarmos que essa sobrecarga emocional tome conta da situação, sem interromper a discussão, os especialistas alertam que isso pode prejudicar tanto a confiança no relacionamento quanto a confiança entre o casal, além de fazer com que esse comportamento "afete os alicerces da relação".

Quando isso acontece com frequência, a tendência é que o casal passe a evitar a comunicação — justamente um dos pilares mais importantes de um relacionamento saudável.

Como evitar esse tipo de situação

A psicóloga María Esclapez já explicava isso em seu livro “Me amo, te amo: Como colocar o amor-próprio em primeiro lugar e criar relações mais saudáveis”: é preciso identificar essas emoções e aprender a administrá-las, sendo honestos com o parceiro.

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Um exemplo seria dizer: "Neste momento estou me sentindo sobrecarregada e não quero dizer algo de que possa me arrepender. Sei que é importante conversarmos sobre isso, mas podemos retomar essa conversa daqui a algumas horas, quando eu estiver mais calma?"

John Gottman e Julie Schwartz Gottman também recomendam aproveitar esse intervalo para fazer alguma atividade que ajude a distrair a mente e recuperar a calma. Assim, a conversa pode ser retomada mais tarde, quando ambos estiverem tranquilos.

Afinal, a ideia não é deixar de discutir, mas aprender a discutir melhor.

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