Sophia Loren é um exemplo de longevidade e de uma carreira bem-sucedida. A diva italiana, hoje aos 92 anos, continua sendo um dos maiores símbolos do cinema mundial e prova que o envelhecimento não precisa significar afastamento dos holofotes.
Mesmo após reduzir o ritmo de trabalho nos últimos anos, a atriz segue participando de homenagens, mantém o nome ligado a marcas de luxo e viu um de seus maiores clássicos, Duas Mulheres (1960), voltar aos holofotes em 2026, com uma exibição especial na seleção Cannes Classics do Festival de Cannes.
Ao longo de mais de sete décadas de carreira, Sophia construiu uma trajetória rara. Foi a primeira atriz da história a conquistar o Oscar de Melhor Atriz por uma atuação em língua não inglesa, estrelou mais de cem produções e dividiu a cena com nomes como Marcello Mastroianni, Cary Grant, Frank Sinatra e Clark Gable, consolidando-se como uma das últimas grandes estrelas vivas da Era de Ouro de Hollywood.
Mas talvez uma das maiores lições deixadas por Sophia Loren não tenha vindo das telas!
Há alguns anos, a atriz fez uma reflexão sobre o passar do tempo que voltou a repercutir justamente por parecer traduzir sua própria trajetória. Segundo uma coluna da VEJA Rio publicada em 2020, Sophia escreveu em seu livro de memórias, Ontem, hoje e amanhã – A minha vida: "Envelhecer pode ser agradável e até divertido, se você souber usar o tempo, se está satisfeito com o que conseguiu e se continua sonhando".
A declaração resume uma filosofia que ela parece ter colocado em prática. Mesmo depois dos 80 anos, Sophia continuou sendo requisitada pelo mercado publicitário e estrelou campanhas da Dolce & Gabbana, marca italiana que passou a associar sua imagem à elegância madura e à valorização das raízes familiares.
A transformação da imagem pública da atriz ajuda a explicar por que ela continua despertando interesse décadas depois de conquistar Hollywood.
Nos anos 1950 e 1960, Sophia Loren virou um fenômeno internacional ao exibir uma beleza que fugia dos padrões mais rígidos da indústria cinematográfica. O corpo curvilíneo, que mais tarde voltaria a ser celebrado nas redes sociais como exemplo de beleza real, contrastava com diferentes tendências de outras épocas e ajudou a construir uma identidade própria, marcada pela confiança diante das câmeras.
Essa autenticidade também aparece em um dos momentos mais importantes de sua carreira: Duas Mulheres, filme dirigido por Vittorio De Sica que lhe garantiu o Oscar de Melhor Atriz e entrou para a história como a primeira vitória de uma atuação em língua não inglesa na principal categoria feminina da premiação.
Quando muitos imaginavam que ela já havia encerrado sua trajetória no cinema, Sophia voltou a surpreender.
Em 2020, retornou às telas em A Vida pela Frente (The Life Ahead), produção da Netflix dirigida pelo filho, Edoardo Ponti. No longa, interpretou Madame Rosa, uma sobrevivente do Holocausto que acolhe crianças vulneráveis em Bari, no sul da Itália. A atuação foi novamente elogiada pela crítica internacional e rendeu mais um David di Donatello à atriz.
Mesmo sem anunciar novos filmes recentemente, Sophia Loren continua aparecendo em eventos ligados ao cinema e mantém uma rotina discreta, mas ativa. Em declarações recentes, voltou a reforçar a ideia de que a idade nunca definiu seus limites.
"Acordo e custo a acreditar que já estou neste mundo há quase um século; ainda vejo um longo caminho pela frente, com tantas coisas para fazer", afirmou.