Os relacionamentos, assim como as pessoas, são diferentes. O que funciona para mim pode não funcionar para você, mas se buscarmos pontos em comum, com certeza, em relacionamentos saudáveis e com uma boa responsabilidade afetiva, há três conceitos comuns.
Segundo a ciência, há certos aspectos que unem os casais que duram mais, como compartilhar valores e crenças, e é muito provável que eles também sigam a chamada “regra dos três Cs”, os pilares nos quais um relacionamento sólido deve se apoiar.
Ela é conhecida como a regra dos três Cs porque se baseia exatamente em três conceitos que começam com essa letra: confiança, comunicação e compromisso.
Esses três conceitos atuam na regra dos três “C” como um todo, cujo equilíbrio — ou desequilíbrio — pode definir o futuro do seu relacionamento. Podemos conversar muito com nosso parceiro, mas se um dos membros não confia no outro, ou se um tem um compromisso que o outro não tem, o relacionamento não promete nada de bom.
É importante entender que essa regra é individual e pessoal para cada casal. Pode ser que o nível de compromisso que eu espero de um relacionamento não coincida com o seu; por isso, é importante conversar sobre isso e que ambos os membros do casal estejam alinhados em relação aos três conceitos.
Todos os elementos dos três “Cs” estão relacionados e funcionam como um sistema interconectado; portanto, uma mudança em um deles terá um impacto positivo ou negativo nos demais. Para entender isso, vamos explicar um pouco como os especialistas definem esses três termos e, o mais importante, como aplicá-los de acordo com a psicologia.
O primeiro é aquele com o qual você certamente está mais familiarizada, pois se trata da comunicação. Já falamos sobre a importância de conversar com seu parceiro e, segundo Villanueva, Rivera, Díaz e Reyes-Lagunes, entendemos a comunicação no casal como “o processo de produção, emissão e processamento de mensagens verbais e não verbais que permitem compartilhar significados entre as pessoas, de forma a formar, manter e modificar padrões de interação durante as relações sociais e pessoais”.
Nesse caso, quando falamos de comunicação, estamos nos referindo a uma comunicação positiva que busque resolver os diversos problemas que possam surgir.
Mamen Jiménez, psicóloga e sexóloga, nos explicou que discutir com nosso parceiro é algo inevitável. “Na vida, vão ocorrer muitas situações e eventos estressantes. Tentar evitá-los é impossível, mas o que podemos fazer é nos preparar para enfrentá-los sem que isso prejudique nosso relacionamento. Uma boa comunicação e resolução de conflitos no casal podem tornar nosso relacionamento mais forte e mais estável ao longo do tempo, e a nós mais felizes.”
Praticar a escuta ativa, não usar aquela frase “não tem nada comigo” quando, na verdade, tem, ser empático e tentar entender como nosso parceiro está se sentindo são algumas das chaves para “discutir bem” e fazer com que a comunicação nos ajude a resolver os conflitos existentes.
Na verdade, se estivermos diante de uma conversa delicada, podemos aplicar as dicas que o ex-agente do FBI Chris Voss nos explicou para que ela seja um pouco mais fluida.
Conforme explica Orlandini em seu livro “O apaixonar-se e o mal do amor”, “a confiança é uma das chaves que abre a intimidade e significa uma forma de ver o parceiro, acreditando que ele é bom e incapaz de causar dano, prejuízo ou traição. A confiança é um componente do amor maduro e do casamento saudável e funcional”.
Talvez seja o termo que possa parecer mais ambivalente, pois cada casal entende o compromisso de uma maneira ou de outra. Existem alguns pontos-chave, como querer passar tempo a dois e fazer coisas juntos, que fazem parte do compromisso, mas, para os especialistas, o compromisso também implica respeito pelo seu parceiro e pelas ideias dele, mesmo que sejam diferentes das suas.
Tanto nós quanto nosso parceiro devemos estar comprometidos em continuar alcançando metas juntos com o passar do tempo e visualizar um futuro com a outra pessoa, mas também é compromisso permitir que cada um tenha seu próprio espaço pessoal.
Para o Dr. Bruce Y. Lee, a confiança no relacionamento requer inteligência emocional. É algo que se constrói com o tempo e que, além de promover intimidade em nosso vínculo, nos traz tranquilidade. Em relacionamentos tóxicos, ou com comportamentos tóxicos, esse é um dos pilares que não existe.
Se confiamos em nosso parceiro, temos a certeza de que ele não vai nos machucar, pelo menos não intencionalmente, e nos sentimos à vontade para expressar emoções, pensamentos e sentimentos. A confiança no relacionamento nos proporciona a calma necessária para resolver os conflitos que forem surgindo no relacionamento.