Os pais de crianças malcriadas costumam ter estas cinco características sem notarem isso, de acordo com a psicologia
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 16:22
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Algumas atitudes adotadas no dia a dia estão fazendo com que nossos filhos acreditem que têm direito a tudo e isso acaba impedindo o desenvolvimento da inteligência emocional.
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Tudo o que fazemos com nossos filhos, desde a forma como falamos com eles até o tipo de relação familiar que mantemos, inclusive com nossos próprios pais, influencia diretamente no desenvolvimento infantil. Mais do que isso: molda. E, muitas vezes sem perceber, podemos adotar comportamentos que acabam contribuindo para que nossos filhos se tornem crianças mimadas, acreditando que tudo lhes é devido!

Em muitos casos, esses comportamentos estão ligados ao tipo de criação que nós mesmos tivemos na infância. 

Apesar de sutis, segundo especialistas como Tiffany Field (psicóloga referência mundial em desenvolvimento infantil), Bruce J. McIntosh (médico ligado à área de pediatria) e Frank R. Harris (pesquisador da área de educação infantil e psicologia do desenvolvimento, esses hábitos podem impactar negativamente o desenvolvimento das crianças, dificultando habilidades fundamentais como tolerância à frustração e resiliência. 

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Esses comportamentos parentais podem estar criando uma criança mimada sem que você se dê conta disso.

Você não faz com que eles arquem com as consequências dos próprios atos

Sem coerência, a criança fica tão perdida quanto os próprios adultos. Basta observar como funciona a sociedade: quando crescemos, precisamos lidar com as consequências das nossas ações. A coerência na criação é essencial porque ensina algo fundamental à criança: ações têm consequências. Isso não significa punição, mas sim consequência.

Segundo a Unicef, na chamada disciplina positiva, o foco não está no castigo ou no que não deve ser feito, mas sim na construção de uma relação saudável com o filho e no estabelecimento de expectativas claras em relação ao comportamento. Isso, no entanto, não significa que não existam consequências quando a criança se comporta de forma inadequada.

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A psicóloga infantil Katia Aranzabal explica que as consequências naturais fazem parte de um processo educativo baseado no respeito. “Isso significa que, diante de uma conduta inadequada, a criança deve vivenciar a consequência natural daquele comportamento, para que haja coerência”, afirma a especialista.

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Você resolve todos os problemas deles

É natural sentir o impulso de proteger os filhos a qualquer custo, mas é fundamental que as crianças aprendam a resolver problemas sozinhas. Quando os pais resolvem tudo - desde procurar um brinquedo perdido até fazer o dever de matemática ou intervir em conflitos na escola - acabam tirando da criança a oportunidade de desenvolver resiliência e autonomia.

Além disso, esse comportamento pode fazer com que elas se tornem dependentes ou passem a acreditar que não são capazes de enfrentar desafios sozinhas.

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Você dá importância excessiva aos bens materiais

Você acredita que é um pai ou mãe melhor por encher seu filho de presentes no aniversário, como acontecia com o primo de Harry Potter? Dudley Dursley recebia dezenas de presentes - e todos sabemos como ele se comportava.

No desejo de oferecer o melhor, muitos pais acabam dando roupas desnecessárias, brinquedos que serão usados apenas uma vez e uma infinidade de objetos que podem gerar na criança a sensação de que ela tem direito a tudo. Segundo o portal Mentes Abiertas Psicología, oferecer poucos brinquedos pode ser uma decisão benéfica para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social.

Crianças que recebem novidades constantemente podem passar a enxergar esses presentes como direitos, e não como privilégios, desenvolvendo uma relação pouco saudável com bens materiais e uma falta de valorização do que possuem. Ensinar que a verdadeira felicidade não está no que se tem também é essencial, assim como incentivar atividades que promovam criatividade, empatia e resiliência, em vez de estimular apenas o consumo.

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Você evita críticas construtivas e não estabelece limites

Criar de forma positiva não significa dizer apenas o que a criança faz de certo. A motivação aliada à crítica adequada constrói uma autoestima saudável. A crítica construtiva é essencial para o crescimento e o aprendizado, pois ajuda a criança a compreender erros, aprender com eles e evoluir.

O especialista Álvaro Bilbao explica que é possível adotar uma abordagem mais colaborativa entre pais e filhos, incentivando o diálogo e a participação ativa, mas reforça que impor limites é indispensável. “As crianças precisam de limites para desenvolver um senso de segurança e compreender quais comportamentos são aceitáveis”, afirma o neuropsicólogo.

Ele acrescenta: “Estabelecer limites claros e consistentes oferece estrutura e ajuda a criança a entender as consequências de suas ações. É importante comunicar esses limites de forma firme, mas amorosa, explicando sempre os motivos”.

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Quando protegemos os filhos de críticas e evitamos impor limites, deixamos de prepará-los para o mundo real. Sem limites, a criança pode passar a acreditar que o mundo gira em torno de seus desejos, o que dificulta o desenvolvimento do respeito, do autocontrole e da inteligência emocional.

Você não permite que eles fracassem

Pais de países nórdicos sabem que crianças resilientes conseguem regular melhor as emoções, se recuperar de fracassos e se perdoar pelos erros - habilidades fundamentais também na vida adulta. Por isso, quando os filhos fracassam, eles permitem que isso aconteça, entendendo o erro como uma oportunidade de aprendizado.

O fracasso faz parte do crescimento. Pais que estimulam a resiliência não eliminam os fatores estressantes da vida dos filhos, mas os ensinam a enfrentá-los. Eles mostram que é possível cair, aprender com os erros e seguir em frente, sem que uma falha defina quem a criança é ou represente o fim do mundo. Isso prepara os pequenos para lidar melhor com a frustração quando adultos.

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