'Fazia sessões para mim e para a Elize': o recurso emocional inusitado da atriz Lorena Comparato para 'manter a sanidade' em filme Top 1 da Netflix Brasil
Publicado em 24 de julho de 2026 às 20:28
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Intérprete de Elize Matsunaga revelou como separou 'ela' da personagem para enfrentar um dos papéis mais delicados de sua carreira
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Interpretar uma das criminosas mais conhecidas do Brasil exigiu muito mais do que decorar falas ou reproduzir trejeitos. Para dar vida a Elize Matsunaga em "Elize: Sombras de uma Mulher", filme que estreou recentemente na Netflix e já figura entre os títulos mais assistidos da plataforma no Brasil, Lorena Comparato mergulhou em uma preparação intensa. 

Além de estudar o caso e até fazer aulas de pole dance, a atriz revelou que contou com um acompanhamento psiquiátrico para conseguir lidar com o peso emocional da personagem.

Em entrevista à VEJA, divulgada nesta sexta-feira (24), a artista abriu o jogo sobre os bastidores do trabalho e explicou que precisou estabelecer uma separação clara entre sua vida pessoal e a mulher condenada pelo assassinato de Marcos Kitano Matsunaga, morto e esquartejado em 2012.

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'Fazia sessões para mim e para a Elize': o método inusitado adotado pela atriz

Entre todas as etapas da preparação, uma chamou atenção. Lorena contou que fez acompanhamento com a psiquiatra Cecília Grois, em São Paulo, para enfrentar a carga psicológica exigida pelo papel. "Eu fazia sessões para mim e para a Elize. Acho que, de certa forma, na minha carreira isso sempre foi muito natural. De ter a personagem e de ter eu. Isso me ajuda a manter a sanidade", afirmou.

A atriz deixou clara a preocupação em estabelecer limites entre sua própria identidade e uma personagem inspirada em um caso real, que desperta forte comoção em todo o país. 

Mas esse não foi o único preparo. Lorena também contou que fez aulas de pole dance, estudou anatomia e mergulhou em documentos relacionados ao processo para construir sua interpretação.

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Documentário da Netflix virou ponto de partida

Curiosamente, o primeiro contato da atriz com a história aconteceu anos antes de ela imaginar que viveria Elize nas telas.

Lorena revelou que assistiu ao documentário "Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime", lançado pela Netflix em 2021, quando a produção estreou. Admiradora do gênero true crime, ela disse que aquele material acabou se tornando seu principal ponto de partida para a composição da personagem.

"Meu grande norte foi o documentário, sempre com a sensação pós-cárcere, diferente do que eu retrato no filme. É uma base de uma criação que eu posso ir para onde eu quiser, ler laudos, reportagens da época...", explicou.

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A partir desse material, a atriz aprofundou a pesquisa com laudos periciais e notícias publicadas na época do crime, buscando construir uma personagem que dialogasse com os acontecimentos retratados no longa, sem reproduzir apenas uma versão documental dos fatos.

Filme reacende discussão sobre Elize Matsunaga

A estreia de "Elize: Sombras de uma Mulher" também recolocou o caso no centro das discussões nas redes sociais. Além do interesse pela história, a produção provocou um debate sobre a forma como parte do público passou a enxergar Elize Matsunaga, que, em algumas publicações, chegou a ser tratada como uma espécie de "diva" ou símbolo feminista.

Lorena comentou essa repercussão e fez questão de demonstrar preocupação com esse movimento. "É muito perigoso as pessoas serem fãs de uma assassina, mas acho que esse filme aflora esse tipo de tema. A gente está vivendo um machismo estrutural tem muitos anos, tem um grito por socorro, por mudança, que é muito legítimo", refletiu.

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Ao mesmo tempo, a atriz evitou assumir o papel de julgadora da personagem e defendeu que o filme existe justamente para provocar reflexões. "Ela é uma assassina grotesca para uma diva pop? Para mim, é o equilíbrio sempre".

Na sequência, Lorena explicou que prefere deixar as respostas para quem está do outro lado da tela: "Eu entendo esse fanatismo de certa forma. Eu não entro no julgamento particularmente. Eu acho que como atriz justamente é ter esse olhar de fora e conseguir reproduzir as personagens do melhor jeito possível. O ideal é gerar discussão".

"Então o que é normal? Por que essa mulher ficou tão em voga? Tem alguma diferença de classe social aí? Quais são os temas em que ela estava certa? Eu prefiro deixar para o espectador do que eu propriamente mastigar e dizer o que é verdade e o que não é", complementou. 

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