Fernanda Torres usou as redes sociais nesta sexta-feira (23) para abrir o jogo sobre seu posicionamento político às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Protagonista de "Ainda Estou Aqui", filme em que interpreta Eunice Paiva, a atriz fez um apelo aos eleitores, falou sobre a importância da democracia e explicou por que vai votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
E olha que a reflexão tem tudo a ver com a história que Fernanda levou às telas e que emocionou o público dentro e fora do Brasil!
Ao interpretar Eunice, a atriz deu vida a uma mulher que viu sua família ser atravessada pela violência da ditadura militar depois que o marido, o ex-deputado Rubens Paiva, foi levado por agentes do regime e nunca mais voltou para casa. Em vez de se calar, ela passou anos lutando para descobrir a verdade sobre o que aconteceu com ele e para que a história não fosse apagada.
Foi essa a memória que Fernanda trouxe para a conversa sobre as eleições. Para a atriz, a repercussão de "Ainda Estou Aqui" mostrou que é possível reconhecer a importância da democracia mesmo quando as pessoas pensam de maneiras diferentes, seguem religiões distintas ou defendem partidos que não têm nada a ver uns com os outros.
“Quando a gente lançou 'Ainda Estou Aqui', uma das coisas mais lindas que aconteceram em torno daquele filme foi uma espécie de comunhão, sabe, um consenso em torno da história da Eunice Paiva e da família Paiva de que viver num país sem democracia é uma coisa ruim para todo mundo, independente da sua ideologia, da sua crença religiosa ou da sua convicção partidária”, afirmou.
Ao revelar seu voto, ela também chamou a atenção para um detalhe que nem sempre ganha o devido destaque durante uma campanha eleitoral: não basta olhar apenas para quem disputa a Presidência. É importante prestar atenção em quem está ao lado do candidato, nas trajetórias dessas pessoas e no que elas representam.
No vídeo, Fernanda declarou apoio a Lula e explicou que sua escolha também leva em consideração três nomes que, na avaliação dela, têm importância na política brasileira: o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ex-senadora Simone Tebet e a ministra Marina Silva.
Ao falar sobre Alckmin, a atriz destacou o papel do vice-presidente e lembrou que essa posição pode ter um peso muito maior do que muita gente imagina. Ela também elogiou a atuação dele nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
“Eu vou votar com três pessoas na minha cabeça. Uma delas é o Geraldo Alckmin, porque a história do Brasil me ensinou que é muito importante a gente pensar no vice-presidente e que nem sempre ele é um cargo figurativo”, declarou.
Simone Tebet também entrou na lista de Fernanda por um motivo bastante específico: sua atuação durante a pandemia de Covid-19. A crise sanitária deixou cerca de 700 mil mortos no Brasil e marcou profundamente a história recente do país. “A outra pessoa que eu vou votar indiretamente é na Simone Tebet, porque eu serei para sempre grata a ela pela atuação que ela teve como senadora na hora da crise da Covid, que custou a vida de 700 mil brasileiros”, disse.
Já Marina Silva foi lembrada pela atuação na área ambiental. Fernanda destacou os resultados alcançados no combate ao desmatamento e usou o tema para explicar mais um dos motivos que pesam em sua decisão. “E, finalmente, eu vou votar com Marina Silva na cabeça, porque ela provou nos últimos anos que é possível reduzir drasticamente o desmatamento no Brasil”, afirmou.
“Exerça seu voto e pense quem está em torno de cada candidato”, concluiu.
Para entender o peso da fala de Fernanda, vale lembrar de onde Lula veio. Pernambucano de origem humilde, ele começou a trabalhar cedo e ganhou projeção como líder sindical no ABC paulista, enfrentando a ditadura militar com greves por melhores salários e condições de trabalho.
Em 1980, ajudou a fundar o PT e, em 1984, esteve entre as lideranças da campanha das Diretas Já, que levou milhões de brasileiros às ruas para exigir o direito de escolher o presidente pelo voto popular.
A mobilização não garantiu eleições diretas naquele momento, mas se tornou um marco da redemocratização. Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989 e chegou ao cargo em 2003. Sua trajetória também é marcada por controvérsias políticas e judiciais, mas sua participação na luta por eleições diretas faz parte da história da retomada democrática do país.
O contraste aparece nas declarações de Jair Bolsonaro sobre o mesmo período histórico. Em entrevista à rádio Jovem Pan, em julho de 2016, ele afirmou: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, naquele mesmo ano, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador.
Já Flávio Bolsonaro, em livro publicado em 2017 sobre o pai, questionou a existência de um golpe militar em 1964 e descreveu Ustra como “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”, conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada em outubro de 2026.