José de Abreu rasgou o verbo na noite desta sexta-feira (9) ao demonstrar indignação com a falta de posicionamento político de alguns artistas que considera amigos próximos.
Em meio à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República, o ator cobrou publicamente colegas de profissão e questionou o silêncio de nomes como Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmmann, Danton e Selton Mello, protagonista de "Ainda Estou Aqui", filme que retrata a repressão durante a ditadura militar brasileira.
No ar em "Por Você", na pele de Próspero, personagem envolvido em uma disputa de tom cômico, e na reprise de "Avenida Brasil", como o sádico Nilo, José de Abreu usou as redes sociais para fazer um apelo direto aos colegas. O ator, conhecido por suas manifestações políticas, demonstrou perplexidade com a falta de engajamento de artistas diante do cenário eleitoral.
"Estou perplexo com alguns colegas que ainda estão relutando em nos ajudar a vencer o fascismo. Não é possível que uma pessoa como o Selton Mello, que faz um filme a respeito da ditadura, não tenha se pronunciado. Giovanna Antonelli, cadê? Cadê a Carolina Dieckmmann? Danton? Cadê esse pessoal?", questionou.
Em seguida, o artista reforçou a revolta com o que considera uma omissão de pessoas próximas justamente em um momento decisivo para o país. "Esse pessoal que, puxa vida, eu fico indignado com esses meus colegas e amigos que não se posicionam em uma hora dessas. É uma coisa inacreditável. O mundo está se posicionando contra o fascismo que está chegando no Brasil! Vocês vão ficar parados olhando para a parede? Pelo amor de Deus!", declarou.
O ator também deixou claro que sua cobrança não significa exigir que os colegas façam campanha para o PT ou declarem voto em Lula. Para ele, a discussão vai além da preferência partidária e envolve o posicionamento diante de ameaças que identifica à democracia.
"Não precisa falar de eleição, de Lula, de PT. Falem sobre o que vocês acham do fascismo que está querendo tomar conta do país. Vamos parar com essa coisa de se omitir, que coisa mais fora do comum! Não dá", afirmou.
A manifestação acontece em um momento de mobilização de artistas e personalidades públicas em torno do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência depois de terminarem o primeiro turno com 45,16% e 47,03% dos votos válidos, respectivamente, de acordo com os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Entre os exemplos de artistas que se manifestaram recentemente estão Anitta e Ana Paula Renault, citadas como referências no debate sobre o engajamento de personalidades públicas.
Na sexta-feira (9), Anitta declarou voto em Lula e fez críticas ao bolsonarismo. A cantora afirmou ter subestimado a força eleitoral do movimento ao acreditar que o presidente venceria já no primeiro turno. Também criticou a mistura entre religião e política e defendeu que o posicionamento público não deve acontecer apenas quando um assunto ganha repercussão nas redes sociais.
"Posicionamento não é um dia. Não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias", declarou a cantora em vídeo publicado nas redes sociais, dizendo ainda que ser de direita não significa ser bolsonarista.
Já Ana Paula Renault anunciou apoio a Lula na quinta-feira (8). Em seu pronunciamento, a campeã do "BBB 26" se dirigiu especialmente aos eleitores que não se identificam com nenhum dos dois candidatos e argumentou que a preservação da democracia e dos direitos deve ser considerada na escolha.
Vale destacar que Carolina Dieckmmann fez um post no Instagram a favor do direito das mulheres no dia 6 de outubro. Ela, contudo, não se manifestou diretamente sobre nenhum partido político.
O termo usado por José de Abreu também apareceu no discurso do próprio presidente. Em entrevista ao podcast Flow, Lula afirmou que acredita ser capaz de impedir o retorno da família Bolsonaro ao governo e usou a palavra "fascistas" para se referir às forças políticas adversárias.
"Se não fosse por mim enfrentando esses fascistas, eles venceriam facilmente outra eleição. Sou eu quem está no caminho deles", declarou Lula. A fala integra a disputa política em torno do legado do governo Jair Bolsonaro e das propostas de Flávio Bolsonaro, que defende a continuidade de parte da agenda política de seu pai.
O uso da expressão "fascismo", contudo, é uma caracterização política feita pelos próprios críticos e não uma classificação jurídica atribuída automaticamente ao candidato.
A preocupação com o futuro das políticas culturais é outro elemento presente no debate eleitoral. A Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável por regular e fomentar o setor audiovisual, voltou ao centro das discussões após a apresentação do Projeto de Lei 994/2026, de autoria do deputado Capitão Augusto (PL-SP), que propõe extinguir a autarquia e transferir suas atribuições para o Ministério da Cultura.
A proposta ainda não foi aprovada e não deve ser atribuída diretamente a Flávio Bolsonaro sem uma declaração específica do candidato. Ainda assim, a iniciativa alimenta a discussão sobre o futuro do financiamento público ao cinema brasileiro em um eventual governo do PL.
A preocupação também foi abordada pela revista americana norte-Variety. Profissionais do audiovisual manifestaram receio de que uma eventual vitória de Flávio represente retrocessos nas políticas de incentivo e financiamento que contribuíram para a recuperação recente do setor.
Sim! Esse fechamento ajuda a matéria a não ficar apenas na troca de cobranças entre artistas: explica ao leitor o significado histórico de fascismo e por que o termo aparece nesse debate. Eu acrescentaria ao final, em dois parágrafos:
O fascismo é uma ideologia política autoritária e ultranacionalista, historicamente associada à extrema direita, que coloca a nação e um ideal de unidade nacional acima das liberdades individuais. Entre suas características estão a concentração de poder em um líder, a rejeição ao pluralismo político, a perseguição de opositores e o uso da propaganda e da violência para silenciar a oposição.
O movimento surgiu na Itália após a Primeira Guerra Mundial, sob a liderança de Benito Mussolini, que chegou ao poder em 1922 e, ao longo dos anos seguintes, transformou o país em uma ditadura. Na Alemanha, Adolf Hitler e o regime nazista levaram essas práticas a consequências extremas, com perseguição sistemática de grupos considerados inimigos e o genocídio de seis milhões de judeus no Holocausto.
Embora o fascismo histórico tenha características bem documentadas, o uso do termo na política contemporânea exige cuidado: nem toda posição conservadora ou de direita é fascista. Historiadores e pesquisadores analisam fatores como o ataque às instituições democráticas, a tentativa de deslegitimar eleições, a defesa de um poder concentrado, a perseguição de adversários e a tolerância ou o incentivo à violência política para avaliar possíveis aproximações com movimentos fascistas.
[Atualização]
Após vídeo de José de Abreu, Giovanna Antonelli se manifestou indiretamente. Sem citar políticos ou partidos, a atriz postou no Instagram uma declaração sobre o avanço perigoso do feminicídio e a importância de proteger mulheres. Assista abaixo: