A poucos dias de comandar um dos jogos mais importantes de sua carreira, o árbitro esloveno Slavko Vinčić, escolhido para apitar a grande final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha, neste domingo (19), volta a ter um episódio marcante de seu passado relembrado. Em 2020, o juiz viveu momentos de tensão ao ser detido durante uma grande operação policial na Bósnia e Herzegovina, que resultou na apreensão de drogas, armas, dinheiro e na prisão de dezenas de pessoas. Apesar da repercussão, ele foi liberado após prestar depoimento e nunca foi investigado formalmente.
Segundo informações do ge, o episódio aconteceu em maio de 2020, quando Slavko Vinčić aceitou o convite para um almoço em uma fazenda localizada na cidade de Bijeljina, na Bósnia e Herzegovina. O encontro, no entanto, acabou sendo alvo de uma operação das autoridades locais que investigavam uma rede de tráfico de drogas e prostituição.
Na ocasião, a polícia invadiu o local e conduziu 35 pessoas para prestar esclarecimentos. Entre elas estava Slavko Vinčić, que acabou sendo levado como testemunha. De acordo com a imprensa local, outros 25 homens e nove mulheres foram detidos durante a ação.
Ainda segundo o ge, a operação resultou na apreensão de 10 pistolas, 14 pacotes de cocaína, celulares, notebooks e mais de 10 mil euros, valor que correspondia a cerca de R$ 58,7 mil na época. Apesar do cenário que chamou atenção da imprensa internacional, o árbitro explicou que estava no local por acaso e negou qualquer vínculo com os envolvidos.
Em entrevista ao jornal esloveno Vecer, reproduzida pelo ge, Slavko Vinčić afirmou que tudo começou após uma reunião de negócios e que aceitou um convite para almoçar, decisão que definiu como o maior erro de sua vida.
"Fui parar nessa fazenda por acaso. Tenho minha própria empresa e estava na Bósnia e Herzegovina para uma reunião de negócios e aceitei um convite para almoçar, que acabou sendo meu maior erro. Me arrependo. Estava sentado à mesa com minha empresa, chegou a polícia e o que aconteceu, aconteceu. Eles nos levaram à polícia, pediram depoimento como testemunhas e, quando descobriram que nem os conhecíamos, pudemos ir."
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O árbitro também reforçou sua inocência ao declarar:
"Não tenho ligação com o grupo que foi preso e detido, nem os meus sócios."
Após o interrogatório, ele foi liberado sem qualquer acusação.
Na época, o presidente da Associação de Árbitros da Eslovênia, Vladimir Sajn, saiu publicamente em defesa de Slavko Vinčić. Conforme informações do ge, o dirigente classificou o episódio como uma sucessão de circunstâncias infelizes que acabou provocando uma "mancha" na imagem do árbitro.
"De acordo com as informações que recolhemos de fontes oficiais e não oficiais e do próprio Slavko, ele não é suspeito de nada. Nenhuma denúncia foi formalizada contra ele. Estava no lugar errado na hora errada."
A declaração ajudou a reforçar que o árbitro nunca figurou como investigado no caso.
Agora, seis anos após o episódio, Slavko Vinčić, de 46 anos, chega ao ponto mais alto de sua carreira ao ser escalado para a decisão entre Argentina e Espanha. Na final, ele será auxiliado pelos compatriotas Tomaz Klancnik e Andraz Kovacic. O jordaniano Adham Makhadmeh atuará como quarto árbitro, enquanto o alemão Bastian Dankert será o responsável pelo árbitro de vídeo, o VAR.
Mesmo após o episódio de 2020, Slavko Vinčić consolidou sua carreira. Apitou jogos da Liga dos Campeões, das eliminatórias da Copa do Mundo e três partidas do Mundial de 2026, incluindo Brasil x Marrocos. Também foi o árbitro da final da Champions League 2023/24, vencida pelo Real Madrid sobre o Borussia Dortmund, e agora comandará a decisão da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha.