Frase do dia de René Descartes, pai da filosofia moderna: 'A verdade não se encontra na multiplicidade de opiniões, mas na evidência'
Publicado em 17 de junho de 2026 às 10:08
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Como sabemos que algo é verdade? A resposta está no cerne do pensamento do filósofo francês
Veja + após o anúncio

Embora tenham quase quatro séculos de idade, algumas ideias parecem ganhar relevância com o passar do tempo e, para o bem ou para o mal, nunca deixam de parecer modernas. É exatamente isso que acontece com a seguinte máxima atribuída a Descartes:

“A verdade não se encontra na multiplicidade de opiniões, mas na evidência”.

É claro que a primeira coisa que convém esclarecer é que René Descartes nunca escreveu exatamente essa frase. No entanto, qualquer pessoa que tenha lido sua obra reconhecerá nela a essência de seu pensamento. 

Veja + após o anúncio

Trata-se, em essência, de um resumo perfeito da ideia que sustenta seu famoso “Discurso sobre o Método”, publicado em 1637, e que ainda hoje continua nos lançando uma pergunta tão incômoda quanto necessária: como sabemos que algo é verdade?

Por que Descartes desconfiava das opiniões da maioria?

Descartes viveu em uma Europa conturbada, marcada por guerras religiosas, disputas intelectuais e certezas conflitantes. Cada grupo defendia suas próprias verdades, muitas vezes com a mesma convicção. 

O filósofo francês observou todo esse tumulto e chegou a uma conclusão simples, mas revolucionária: o fato de muitas pessoas acreditarem em algo não significa que isso seja verdade.

Veja + após o anúncio

Por isso, ele desenvolveu o que chamou de dúvida metódica. Sua proposta consistia em colocar em quarentena qualquer crença que pudesse ser falsa, mesmo que apenas remotamente. Não se tratava de desconfiar por desconfiar, mas de eliminar as ideias que pudessem ser enganosas para ficar apenas com aquilo que resistisse a qualquer dúvida. 

Para Descartes, a verdade deveria basear-se em evidências que não deixassem margem para confusão e dúvida, e não em costumes herdados, rumores ou consensos sociais. O mais curioso é que é difícil encontrar uma ideia mais atual.

Veja também
Frase do dia de Albert Einstein, famoso físico alemão: 'Uma vida tranquila e modesta traz mais felicidade do que a busca incessante pelo sucesso'
O desafio de distinguir fatos e opiniões na era digital

Vivemos em uma época em que nunca tivemos acesso a tanta informação e, paradoxalmente, nunca foi tão complicado distinguir entre informação comprovada e verificada e boato. Todos os dias consumimos centenas de opiniões nas redes sociais, podcasts, grupos do WhatsApp, vídeos do TikTok ou manchetes de artigos que mal lemos antes de compartilhar. 

Veja + após o anúncio

O problema é que nosso cérebro costuma confundir popularidade com veracidade. Se outras pessoas dizem isso, tendemos a pensar que devem ter alguma razão. Mas a história mostra que as maiorias também se enganam.

Durante a pandemia, já vimos como teorias sem base científica conseguiram influenciar muitas pessoas. Hoje, assistimos a um fenômeno totalmente ao estilo de “Black Mirror”, com a proliferação de conteúdos gerados por inteligência artificial, imagens manipuladas e vídeos capazes de criar vozes e rostos com uma precisão inquietante. Às vezes, basta que uma afirmação se encaixe em nossos preconceitos para que ela nos pareça mais convincente do que uma evidência.

Por tudo isso, o ensinamento de Descartes é atualmente tão valioso. Ele nos lembra que a verdade não é uma competição. Não depende de quantas pessoas acreditam nela, compartilham uma publicação, nem de quantos “curtidas” uma teoria acumula, nem de que uma ideia tenha sido repetida tantas vezes que acabe parecendo um fato.

Veja + após o anúncio

A evidência é algo muito menos emocionante do que qualquer teoria maluca. Exige parar, verificar, comparar e aceitar que, às vezes, estávamos errados. Requer paciência em uma cultura que valoriza a reação instantânea. No entanto, continua sendo a ferramenta mais confiável que temos para nos orientarmos em meio ao ruído.

No entanto, há também outra lição menos óbvia no pensamento de Descartes. A dúvida, tão demonizada em alguns discursos atuais, nem sempre é um problema. Às vezes, é uma forma de inteligência. 

Duvidar não significa cair no relativismo, onde tudo vale. Significa reconhecer que nossas crenças podem precisar ser revistas. É o passo prévio para compreender melhor o mundo e um passo que não podemos ignorar quando se trata de pensar por nós mesmos.

Veja + após o anúncio

Numa época em que qualquer pessoa pode opinar sobre qualquer coisa e ver sua mensagem amplificada, e em que os fatos competem constantemente com as emoções, a busca pela verdade se assemelha menos a escolher um lado e mais a cultivar uma atitude. A de quem está disposto a se perguntar quais são as provas de algo.

Últimas Notícias
Últimas Notícias
Tendências
Todos os famosos
Top notícias da semana