Ícone do iluminismo, o filósofo francês Voltaire morreu há exatos 248 anos, em 30 de maio de 1778. Crítico do Cristianismo e da escrividão, o pensador era ferrenho defensor da liberdade de expressão. Quase dois séculos e meio após sua morte, seus pensamentos continuam atuais e essenciais vide o anonimato nas redes sociais ou as "piadas" controversas que já renderam condenação a humorista.
Para Voltaire, a sociedade mais justa tem como base o direito ao contraditório bem como a tolerância religiosa. Por isso, certa vez o francês discursou a respeito da liberdade de expressão em uma época onde perseguição política e censura eram completamente visíveis: "Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo".
Dessa forma, a fala de Voltaire fez consolidar a liberdade de se dizer o que quiser tanto no princípio ético quanto no político. E de uma maneira absolutamente fundamental, apontou a revista "Research, Society and Development".
A partir desse entendimento, temos três bases: o iluminismo, o combate à censura e o direito ao contraditório. No caso do iluminismo, ele defende da razão à ciência quanto a tolerância em termos de serem a base da organização social. Ao analisar o combate à censura, se encontra a crítica às perseguições religiosas e políticas por parte do Estado.
Por fim, o direito ao contraditório analisa a valorização do debate enquanto instrumento de avanços nas partes morais e sociais.
O pensamento de Voltaire e a defesa pela liberdade de expressão voltam à tona diante das plataformas digitais, onde as opiniões foram ampliadas. Ao mesmo tempo, a publicação de conteúdos pode ser feita por qualquer pessoa e logo a postagem atingir milhares de internautas.
Por outro lado, a liberdade de expressão se associou a falas de teor ofensivo e à chamada "desinformação". Gerando um novo cenário onde o desafio dos dias de hoje é manter equilibrada a balança de liberdade de expressão mediante responsabilidade e o respeito para com as leis.
Em termos de Brasil, a Constituição mais recente, de 1988, determina que é livre a manifestação de pensamento. A liberdade de imprensa também é assegurada da mesma forma que a diversidade de opiniões. Tendo como base o Estado democrático.
Mas a mesma Carta põe limites quando a liberdade de expressão bate de frente com os crimes contra a honra, discriminação ou incitação à violência. Dessa maneira, pode-se responder na Justiça pelo que se diz.
Diante de tudo isso, o pensamento de Voltaire pode ser aplicado, sim, atualmente. É preciso defender o direito de se falar o que quiser e levando em conta as opiniões distintas. Porém, não se pode largar de lado nem a responsabilidade e nem a ética, tampouco o compromisso de se conviver de maneira democrática.