Inventor, empresário e uma das personalidades mais importantes da história da tecnologia, Steve Jobs sempre foi um homem muito associado à razão e à genialidade.
Embora essas características e seu jeito austero — representado, inclusive, pela combinação icônica de blusa preta de gola alta e calça jeans — tenham se tornado sua marca registrada, o fundador da Apple também teve momentos emotivos e de reflexão.
Um dos mais lembrados aconteceu em 12 de junho de 2005, quando Jobs discursou para os formandos da Universidade Stanford, na Califórnia.
Ao compartilhar algumas das principais experiências de sua trajetória, ele deixou um de seus ensinamentos mais valiosos:
“Seu trabalho ocupará uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazer aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é amar o que você faz.”
A declaração surgiu enquanto Jobs falava sobre um dos períodos mais difíceis de sua carreira.
Aos 30 anos, ele foi afastado da Apple, empresa que havia fundado na garagem da casa de seus pais ao lado de Steve Wozniak. O episódio foi devastador, mas também abriu caminho para uma nova fase.
Nos anos seguintes, o empresário criou a NeXT, participou da transformação da Pixar em um dos maiores estúdios de animação do mundo e conheceu Laurene Powell, com quem se casou.
Mais tarde, a Apple comprou a NeXT, permitindo que Jobs retornasse à companhia e comandasse uma de suas fases mais revolucionárias.
Para ele, nada disso teria acontecido se não continuasse amando o próprio trabalho. Por isso, aconselhou os formandos a não se acomodarem: se ainda não tivessem encontrado aquilo que amavam, deveriam continuar procurando.
O conselho ganhou ainda mais força por partir de uma figura tão complexa. Jobs ficou conhecido por sua postura ríspida, pela impaciência e pela busca quase obsessiva pela perfeição, que muitas vezes tornavam a convivência com ele difícil.
Isso não apaga, porém, sua capacidade de enxergar possibilidades que outras pessoas ainda não conseguiam perceber.
À frente da Apple, da NeXT e da Pixar, ele ajudou a transformar os computadores pessoais, a música digital, os celulares e o cinema de animação.
Mais de duas décadas depois daquele discurso, suas palavras permanecem como um lembrete de que um trabalho verdadeiramente significativo dificilmente nasce apenas da obrigação: ele também exige envolvimento, persistência e paixão.